O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 24/10/2019

O Nazismo e Fascismo foram ditaduras que, primordialmente, tinham o nacionalismo como auge do comportamento político e social, reafirmando as práticas eugênicas -superioridade da raça branca. Embora esses modelos políticos tenham sido derrotados, as consequências do nacionalismo perduram até a hodiernidade e revelam um importante objeto de estudo, com o intuito de identificar e punir as atividades análogas aos cenários de ditadura anteriores. Diante dessa temática, dois aspectos são importantes: a causa dos movimentos ufanistas e os riscos que pode ocorrer dentro de uma política democrática.

Mormente, é factível relacionar o amor à pátria como ferramenta de manipulação. Em seu livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, Lima Barreto representa o personagem Policarpo com características ufânicas e inocentes, o qual cultuava atividades socioculturais somente para enaltecer a cultura Brasileira. De forma análoga, aos cenários nacionalistas, a construção de pertencimento ao país é a causa pelo desencadeamento das virtudes ufanistas, ou seja, a redenção do homem, em sociedade, para integrar-se à pátria é resultado dos mecanismos coercitivos Estatais que influenciam no comportamento do indivíduo. Dessa forma, a ingenuidade de Policarpo Quaresma é um processo configurado a fim de manipular as ações individuais.

Ademais, é cabível correlacionar a teoria de Hannah Arendt para com a manipulação da sociedade pelas Instituições. Segundo a autora, o termo “banalidade do mal” constitui nas relações políticas e sociais de instituições que manipulam a opinião pública. Em conformidade, tal teoria se aplica às políticas nacionalistas, porquanto as práticas antidemocráticas exercidas pelos regimes totalitários -sobre o pretexto ufanistas- contrapõem o ideário dos direitos humanos e da democracia, vide o Nazismo e Fascismo. Destarte, as articulações de grupos nacionalistas ameaçam diretamente o sistema democrático vigente.

Urge, sendo assim, uma necessária intervenção do Governo Federal para garantir os direitos constitucionais de uma república democrática. Para isso, cabe ao ministério dos direitos humanos criar um gabinete de investigação, de parceria com a Policia Federal, de forma a identificar as movimentações dos grupos nacionalistas radicais - por meio da utilização de tecnologias cibernéticas- e prevenir o alcance das ideologias eugênicas, com o objetivo de garantir a liberdade constitucional. Outrora, o Ministério de Comunicações deve informar, seja na internet ou mídias tradicionais, sobre a diferenciação do nacionalismo extremista e das práticas de adoração a Pátria, para distinguir as atividades. Somente assim, casos como de Policarpo Quaresmo serão admirados pelo sentimentalismo e não pela politização do nacionalismo.