O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 26/10/2019
Dos filhos desse solo
Na obra artística da pintora Tarsila do Amaral , “O Abaporu” foi um marco representativo de uma sociedade recém formada, trabalhadora e orgulhosa da sua terra. É inegável o quanto essa obra é atemporal, e continua servindo-se de base para reacender no Brasil, um sentimento que há muito tempo, lhes foi ofuscado: o amor à pátria. Tal afeto, apesar de ainda não ser hegemônico, promove inúmeras benesses sociais.
Da fabricação de um herói nacional (Tiradentes), passando pelo Hino da Bandeira, até chegar a Guerra do Paraguai, muitos são os signos do patriotismo no Brasil. No entanto, o amor ao Estado vai além de datas e símbolos. Segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 6 em cada 10 brasileiros, percebem-se pertencentes ao país, apenas em épocas de grandes calamidades públicas ou em eventos de cunho global. Como exemplos respectivos, desses fatos, tem-se, entre outros: o “acidente” da Vale do Rio Doce em Mariana e a Copa do Mundo, da FIFA. Diante disso, quando não há tais aglutinações de populares, em prol da compaixão comum, vivencia-se um status de utopia de nação. Logo, evidencia-se que esse sentimento identitário, ainda se encontra em fase embrionária.
Para Josué de Castro, professor do Instituto Geográfico da USP, o amor à pátria é, antes de tudo, uma compaixão ao seu próprio conterrâneo. Partindo dessa tese, personalidades históricas, em diversos períodos, contribuíram para o fomento desse valor. Exemplo disso, foi a Semana das Artes Modernas de 1992, em que o literário Oswald de Andrade, com o seu Manifesto Antropofágico, consolidou as bases para o desenvolvimento patriótico. Isso contribuiu, entre outros, para o enriquecimento histórico-cultural do país. Assim, ao se promover esse sentimento de pertencer-se ao país, fomenta-se a solidariedade para com a sua gente.
Parafraseando o escritor Jorge Amado: ser patriota é amar, não apenas o nosso chão, mas o seu povo. Partindo dessa égide, no intuito promover esse sentimento, é imprescindível enaltecer os valores cívicos. Para isso, três serão os promotores da mudança. Cabe ao Estado, poder socializante, investir em políticas de valorização da sua cultura, em todo o seu território, por meio da valorização das suas crenças, da sua culinária e seus costumes, assim como, através de uma governação mais ética e abarcativa, que respeite o indivíduo. É papel das escolas, por meio dos seus currículos, promoverem debates e fóruns, sobre a valorização de todo a coletânea patrimônio nacional, afim de enaltecer não apenas a história do país, mas também seus habitantes. Cabe a família, educar os seus filhos para conviverem em harmonia e respeito ao seu solo. Afinal, a palavra convence, mas o exemplo arrasta.