O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 26/10/2019
A obra do literário Monteiro Lobato, ”Sítio do Pica-pau Amarelo”, aborda a história de Pedrinho, Emília, Cuca, Dona Benta, Saci-Pererê e diversos outros personagens do folclore brasileiro. Sob esse viés, o enredo apresenta características marcantes do Brasil, como hábitos, comidas típicas e cultura. Todavia, hodiernamente, devido a diversos fatores históricos e contemporâneos, a sociedade, em oposição a obra supracitada, perdeu o amor pela pátria e passou a desvalorizar os aspectos do país. Nesse tocante, a corrupção estruturada, adjunto da comparação com países desenvolvidos, são fatores que dificultam a permanência do patriotismo no século XXI.
Em primeira análise, cabe ressaltar que desde o período colonial brasileiro a corrupção “deteriora” as virtudes do país e atrasa sua evolução. Como exemplo dessa, o escambo, no qual os portugueses enganavam os nativos e trocavam bugigangas por madeira de grande valor comercial. Nesta perspectiva, análogo ao pensamento do filósofo Arthur Schopenhauer, as ideologias dos indivíduos são limitadas aos seus campos de visão, logo, com o histórico do país repleto de corrompimentos e subornos e a constante decepção com os líderes políticos, o campo de visão social se limitou a subestimar a pátria e esperar por acontecimentos ruins. Diante disso, a corrupção “enraizada” no Brasil, desvaloriza-o perante a perspectiva dos cidadãos.
Por conseguinte, os cidadãos tendem a comparar a realidade do seu país com a de grandes potências, almejando, pois, morar nessas regiões, como os Estados Unidos, local de destaque e foco para viagens, moradia e intercâmbios. Tal ideal assemelha-se as ideias apresentadas pelo economista John Maynard Keynes, o qual ressalta que os indivíduos de um país em crise tendem a apoiar regimes que estão em progresso, assim, a exaltação de outras regiões é, em grande parte, consequência de uma frustração com o lugar no qual reside o indivíduo. Com isso, torna-se crítica a situação entre o país e o seu povo, visto que a população nacional descrê na própria pátria e valoriza apenas outras nações.
Diante do exposto, é mister medidas que alterem o cenário de “anti-amor” à pátria. Portanto, urge que os governos estaduais, com o apoio do Ministério da Cultura, realizem palestras nas escolas, faculdades e praças públicas das cidades, por meio de profissionais capacitados para disseminar sobre toda a história do país, enfatizando os pontos positivos e valorizando os aspectos culturais, a fim de que a sociedade mude sua “visão” do Brasil e passe a ter mais amor à pátria. Ademais, cabe à mídia, expandir, por meio de comerciais, o conteúdo supracitado, para que assim as pessoas não tenham acesso apenas aos problemas do país, mas, também, aos seus benefícios. Feito isso, a sociedade brasileira aproximar-se-á do patriotismo presente na obra de Monteiro Lobato.