O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Com o advento dos Estados-Nacionais no século XVIII, o patriotismo foi desenvolvido nas escolas, afim de consolidar na educação dos indivíduos o amor pela nação. Entretanto, o hodierno cenário brasileiro se difere do decorrido centenário, já que a descrença quanto o progresso nacional tem gerado nos cidadãos a instabilidade do sentimento patriota. Dessa forma, a corrupção, em consonância com a valorização do estrangeirismo, são desafios para o patriotismo em questão no Brasil.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função da imoralidade das pessoas, os sujeitos desacreditam no futuro desenvolvimento do país, consequência da naturalização do sistema corrupto no Brasil. De acordo com o sociólogo Sergio Buarque de Holanda, o brasileiro não consegue separar o público do privado — o que move o cidadão pelo interesse próprio. Assim, as ações individualistas, denunciadas por Buarque, como o desvio de dinheiro, por exemplo, vão contra o bem comum, e, ademais, ferem o patriotismo, uma vez que esse é ameaçado por uma crise de civismo dos indivíduos, sendo um fator prejudicial ao exercício da cidadania. Nesse sentido, enquanto o egoísmo for a regra, o avanço do país será a exceção.
Por conseguinte, percebe-se que a adesão à cultura do outro dificulta o progresso patriota. Sob tal ótica, o Romantismo no século XVIII expressava em suas obras o amor pela pátria, com a construção da identidade brasileira. Em suma, a desapropriação do patriotismo diverge-se do propósito do Movimento Romancista, posto que em razão do processo de globalização o mundo torna-se cada vez mais homogêneo, o que influencia os cidadãos ao desprendimento nacional. Desse modo, o desamor leva à perda da identidade da nação, além da apropriação de culturas externas, tal como nos gêneros musicais e culinários.
Infere-se, portanto, que o Estado tome providências para amenizar esse quadro. Logo, urge que com a autoridade de formar cidadãos comprometidos com a nação, o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, políticas públicas que instruam os indivíduos a agirem conforme o civismo e patriotismo, com a mobilização da sociedade em recuperar o amor à pátria, bem como a união para superar os impasses que dificultam a prosperidade. Espera-se, com isso, a liquidez da cultura de corrupção, assim como a indiferença ao pertencimento nacional, de tal maneira que as futuras gerações contribuam para o progresso do país. Somente assim, o amor à pátria será restaurado, assemelhando-se ao ideal dos Estados-Nacionais.