O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 27/10/2019
Lima Barreto conta, em uma das suas obras modernistas, a história do ufanista Policarpo Quaresma que, pelo seu amor exagerado à pátria, é condenado à morte pelo próprio país. Fora da ficção, no contexto da Segunda Guerra Mundial, o patriotismo exacerbado dos alemães, seja por se considerarem superiores ou lutar na guerra, provocou a morte de milhões de judeus, resultando no Holocausto. Destarte, vê-se que tanto na história quanto na ficção, a valorização intensificado da pátria pode trazer problemas ao povo e ao próprio indivíduo, porém, ela é necessária para uma sociedade unida em prol do país.
A priori, é notório que, o cidadão, ao colocar sua nação à frente de si mesmo ou de outras pessoas, pode cometer ações que comprometam seu bem estar social. Ao entrar no exército para representar seu país numa guerra, por exemplo, o homem arrisca sua vida, além das outras provocadas pelo conflito. De maneira semelhante, ainda na Segunda Guerra, os japoneses adotaram a política de “batalha suicida”, em que se matavam para conseguir atacar os americanos. Tal fenômeno é chamado de “Suicídio Altruísta”, de acordo com o sociólogo Durkheim, em que o indivíduo se sacrifica pelo bem de um grupo maior, mas sem garantia de sucesso.
Entretanto, o patriotismo não deve ser erradicado, já que ele catalisa o avanço da sociedade. A comunidade, senão sentir que pertence à nação, não consegue exercer sua cidadania em nenhum ambiente, o que a torna passiva e sujeita a aceitar quaisquer imposições. De acordo com o sociólogo brasileiro Sérgio Buarque, o brasileiro tende a ser passivo e a evitar confrontos, de modo a possibilitar que os poderes políticos se sobreponham ao povo e impeçam o desenvolvimento, já que estes não utilizam de seus direitos sociais, políticos e civis para protestar, isso é, unir forças contra o governo em prol de um benefício público, ou seja, o progresso do país.
Portanto, para que o cidadão usufrua de seus direitos de maneira adequada, e não seja prejudicado pelo excesso de patriotismo, medidas devem ser tomadas. Primordialmente, o Ministério da Educação deve criar uma extensão na disciplina de história e sociologia, a qual ensinaria os prejuízos do nacionalismo exagerado, por meio dos exemplos históricos. Porém, para que os alunos não tenham receio sobre o coletivismo, eles devem ser instruídos, pelos professores, a usufruírem de seus direitos para exercer cidadania, que também é uma forma de patriotismo, a qual beneficia toda a nação. Desse modo, nenhum indivíduo terá o triste fim de Policarpo Quaresma.