O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 28/10/2019
O Capitão America, personagem de quadrinhos norte-americano, não é um simples herói, mas sim uma representação da imagem que o estadunidense tem de seu país. Forte, incansável e extremamente íntegro, ele revela um olhar patriota de um povo para com sua nação. No Brasil, entretanto, esse patriotismo, tão importante para qualquer Estado, pouco se manifesta na população; algo que ocorre por razões históricas e se reflete em problemáticas brasileiras atuais.
Primeiramente, é preciso entender a relevância que o sentimento patriota possui em qualquer país. Tal percepção é a principal responsável por fazer as pessoas se sentirem parte de uma identidade de nação, e quererem contribuir com esta; o que pode ocorrer, por exemplo, através dos deveres do cidadão, muitas vezes esquecidos, mas que estão expostos na constituição de 88. Um desdobramento desse problema é o que Sérgio Buarque de Holanda chamou de “homem cordial”, a postura recorrente do brasileiro de colocar os desejos e relações pessoais acima das normas, as quais o respeito também está explicito na constituição.
Visto a importância do sentimento patriota, é necessário entender que sua ausência no Brasil tem raízes históricas. Isso ocorre pois a formação brasileira foi heterogênea e desintegrada, não podendo, por exemplo, comparar o surgimento de Pernambuco sobre os engenhos de açúcar, passando por influências holandesas e coronelismos; com a criação de São Paulo por bandeirantes, crescida pelo café e pelos imigrantes. Tal disparidade gerou diferentes valores e culturas dentro do país, fortalecendo o regionalismo em detrimento do patriotismo, fato que os anos de república não foram capazes de apagar.
Em suma, não devemos cair no complexo de vira lata, que Nelson Rodrigues falava dissertando sobre como o brasileiro odeia o que é nacional e ama o estrangeiro, e achar que criar um Capitão America Tupiniquim seria a solução para a falta de patriotismo no país. Essa questão só será resolvida quando o povo se ver como único, embora haja tanta diversidade. Para tanto, cabe ao MEC promover intercambio entre alunos de vários estados gerando a integração das culturas regionais, além de criar aulas de debate sobre tal tema e sobre a importância da cidadania, sejam nas escolas ou nas universidades. Já ao poder executivo, cabe a criação de núcleos que exercitem a ideia de fraternidade e cidadania, além de promover a união da população em torno do que é público; exemplo disso seria a criação de hortas e centros esportivos comunitários, que serviriam bem a esta finalidade.