O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 03/11/2019
Em uma passagem da obra O Triste Fim de Policarpo Quaresma, o protagonista se vê diante de uma situação frustrante quanto o amor que ele dedicou ao país; ‘’A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete.’’ Tal enredo é um exemplo de que o sentimento de nacionalismo está sujeito à mudanças, podendo este, estar desaparecendo ou se radicalizando na sociedade contemporânea. Portanto, com as transformações políticas,sociais e econômicas em questão, é preciso buscar uma definição acerca do ‘’O que é ser brasileiro’’.
A priori, é preciso analisar que a problemática supracitada possui raízes históricas. Por esse viés, houve várias tentativas de uma busca de uma identidade nacional, visto na literatura, por exemplo, a primeira geração romântica, com imagens e símbolos ufanistas. Entretanto, do período colonial até o fim da República oligárquica, o sentimento de pertencimento ao Brasil era fraco e imperceptível, haja vista que todos os acontecimentos políticos importantes como a Independência e a Proclamação da República, não contaram com o apoio popular. Tal cenário é visto porque além da cidadania ser restrita à muitos, a ideia de pertencimento à um país não foi trabalhada pelos governantes da época.
A posteriori, é preciso ressaltar as questões sociais que levam à retração do patriotismo em questão, tendo em vista uma ótica sociológica. Em consonância ao sociólogo Zygmunt Bauman, a passagem da modernidade sólida para líquida provocou uma profunda mudança dos valores da sociedade, no qual os acontecimentos históricos durante os século XX e XXI vão influenciar nas gerações existentes, pois o Brasileiro cada vez mais individualizado, se a afasta do sentimento de pertencimento ao coletivo. Tal contexto, segundo o historiador Eric Hobsbawm, é intensificado diante de um mundo cada vez mais globalizado, onde as distâncias são reduzidas e as culturas tornam-se mais nítidas.
Dado o exposto, entende-se que para solucionar os entraves em questão e garantir os direitos promulgados pela constituição cidadã de 1988, faz se mister uma responsabilidade compartilhada entre sociedade e Estado. Este, como gestor dos direitos coletivos em sinergia com a Mídia, cabe promover uma intensa propaganda engajada que busque, além de mostrar a diversidade social do Brasil, fomentar o senso crítico e instigar a população, resgatando o sentimento patriota. Já à sociedade, compete se unir em torno de uma causa maior, através de manifestações e protestos, objetivando consolidar a soberania popular, maior forma de exercer o comprometimento à nação brasileira, respeitando as diferenças.