O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Consoante os juízos do filósofo holandês Espinoza, ser livre significa agir de acordo com a natureza individual e, concomitantemente, está associada à noção de responsabilidade, uma que o ato de ser liberto implica assumir as próprias ações e saber responder por elas. Não obstante, quando se observa o patriotismo em questão no Brasil, percebe-se que a imprudência social, proveniente dessa liberdade, aponta diversos reveses hodiernamente. Logo, a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, infelizmente devido não só ao excesso desse sentimento, mas também à sua falta.

A priori, é pertinente enfatizar os aspectos que envolvem a escassez de amor à pátria atualmente. Afinal, as crises de corrupção, a desigualdade social e a impunidade contribuem para acentuar a descrença no desenvolvimento nacional, em razão da sensação de imutabilidade dos egoísmos políticos, conforme notado nos escândalos do Mensalão. Em virtude disso, a pouca esperança vigente inibe o reconhecimento do próximo como igual compatriota e, dessa maneira, extingue ações voluntárias que assistem a nação. Tal situação contraria os ideias do positivismo de Augusto Conte, instaurados na bandeira nacional, ao compreender que o amor é o princípio para alcançar o progresso, haja vista que a sociedade não apresenta ajudas mútuas pelo bem daqueles que nascerem no território brasileiro. Então, o bem coletivo não é promovido pela simples vontade.

A posteriori, deve-se analisar, analogamente, as questões que abrangem os efeitos do patriotismo exacerbado. Dessa premissa, o excesso dessa emoção pode causar uma extrema aversão à cultura e política estrangeira, ao ponto de resultar a xenofobia, por causa da irracionalidade vinculada à superioridade nacional, como verificado nos regimes totalitários na primeira metade do século XX. Por conseguinte, a violência e o discurso de ódio contra os imigrantes tornam-se presentes na sociedade. Contudo, essa condição revela uma dicotomia, porque os patriotas extremistas valorizam tanto sua nação que praticam agressões aos não pertencentes do seu país, mas, simultaneamente, desvalorizam a identidade nacional brasileira, já que o Brasil é resultado da miscigenação de diversos povos. Destarte, prejudica-se a formação nacional em vez de defendê-la.

Portanto, para cercear os males que envolvem o patriotismo, é fundamental que a mídia inicie campanhas que valorizem as atitudes que visam ao bem de todos aqueles que são brasileiros por intermédio de divulgação de contextos históricos que estimulem o amor à pátria nas redes sociais, com o intuito de efetivar as boas ações entre compatriotas. Outrossim, é fundamental que as escolas incentivem os professores a condenarem o nacionalismo exagerado por meio da exposição de vídeos que refletem o preconceito na Alemanha nazista, a fim de inibir a xenofobia.