O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 29/10/2019
No contexto histórico de pós Proclamação da República no Brasil em 1889, houve a necessidade de iniciar a implantação de um sentimento de amor à pátria na população. Para tanto, criou-se o hino nacional e grandes nomes, como o do republicano Tiradentes, foram exaltados enquanto heróis vernáculos, corroborando a origem de um sentimento patriota. No entanto, o patriotismo no cerne hodierno permeia desafios. Nesse sentido, destaca-se a ausência de ação governamental, inclusive dentro das escolas, no que tange à noção de pertencimento nacional, em decorrência disso, há uma subjugação popular acerca do que é ser brasiliano. Diante do exposto, torna-se fulcral a discussão desses aspectos.
Em primeiro lugar, nota-se que a sociedade brasileira não goza um senso de nacionalidade comum, uma vez que, desde o século XX busca-se avidamente o conceito do que é ser brasileiro. Dessa forma, em sua obra “Raízes do Brasil,” o autor Sérgio Buarque de Holanda debruçou sobre a concepção do “homem cordial,” através da qual ele procura um caráter individualizador do cidadão brasilense, definido na obra em questão, como “brasilidade.”
Outrossim, a falta de tal etnicidade leva à subjugação do próprio indivíduo enquanto brasileiro. Porquanto, ele acaba por apossar-se de culturas estrangeiras, conforme visto no século XX com a disseminação no Brasil do conceito de “American Way of Life”, que consistia na valorização do modo de vida norte americano. Nesse sentido, a apropriação da cultura estadunidense trouxe ao país a sensação de inferioridade, por sua vez, explorada por Nelson Rodrigues, em sua teoria do “Complexo de Vira Lata,” na qual ele postula que o brasileiro permeia uma falta de autoestima cultural, pois desconhece a vasta identidade étnica de seu território, ao passo que, enaltece costumes estrangeiros. Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática. Destarte, o MEC – Ministério da Educação e Cultura- deve inserir na grade curricular dos discentes, o estudo aprofundado da cultura e do patrimônio histórico brasileiro, por meio de aulas, em horário escolar, com professores formados nas disciplinas de história, filosofia ou sociologia aptos a ensinarem todos os valores históricos que perpassam a construção nacional. Ademais, no ato dessas aulas, os alunos devem ser levados para visitarem museus e centros memoráveis da história brasileira, como as igrejas barrocas de Ouro Preto. Concomitantemente, esses jovens, necessitarão realizar trabalhos comunitários divulgando o conhecimento cultural adquirido para toda a população local, a partir das redes sociais e páginas oficiais do governo, a fim de garantir a conscientização do máximo de cidadãos. Somente assim, a escola atuará como precursora e garantirá a procura eficaz pelas raízes do Brasil.