O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 30/10/2019
A fase heroíca, primeira fase do Modernismo impulsionada pela Semana de Arte Moderna, fez-se muito importante para a construção da identidade brasileira. Contemporaneamente, décadas após esse contexto histórico, o esfacelamento da valorização das origens do Brasil contraria o conceito do século XX. Com efeito, o acentuado quadro de insuficiência patriota constrói-se como subproduto da conivência do corpo social e da ineficácia do Estado.
Em uma primeira análise, a compactuação da sociedade relaciona-se intrinsecamente com a queda identidária nacional. Isso porque, o povo brasileiro reproduz discursos que rebaixam os valores do país, tal como ínfero estilo musical pátrio comparado ao americano, visto que muitas vezes consideram a cultura internacional mais desenvolvida. Foucault, um renomado filósofo francês, desvelou em sua obra “Vigiar ou Punir” que a normalização implica na idealização de um comportamento como o adequado. Dessa forma, concluí-se que essa conjuntura é reafirmada pelo autor no atual panorama socionacional ao normalizar o conceito de identidade ideal.
Ademais, em um segundo plano, a ausência de amor à pátria instaura-se também em decorrência da má-gestão estatal. Essa questão alicerça-se pela negligência do Poder Público ao fazer descaso com os patrimônios já existentes, que constroem a memória nacional, uma vez que muitos estão degradados, já que a pauta de reforma é secundarizada pelos políticos corruptos, os quais priorizam seus salários e metas pessoais. Logo, o Governo faz-se responsável também pela quebra do nacionalismo.
A reprodução da sociedade e a incapacidade estatal, portanto, instauram secularmente a crise ufanista brasileira. À vista disso, o Poder Executivo Federal, sob a ótica do Ministério da Educação, deve elaborar e implementar, nos espaços escolares, projetos que contemplem a valorização dos costumes do Brasil, por meio de debates sobre a essência da pátria, com a finalidade de desconstruir desde cedo a visão de inferior criada pelos próprios brasileiros. Dessa maneira, espera-se com isso construir uma sociedade que se orgulha da sua nacionalidade, reavivando a fase heroíca do Modernismo.