O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 01/11/2019

No livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, Lima Barreto retrata a vida de Policarpo, um personagem ufanista, amante da pátria. Nesse sentido, a narrativa foca na exacerbada glorificação que o funcionário público promove aos símbolos nacionais. Fora da ficção, entretanto, este não é o cenário observado no Brasil hodierno, onde a carência de “Policarpos” promove um processo de extinção do patriotismo. Urge, pois, a necessidade de analisar tanto o descaso com a educação ufanista, quanto a consequente suscetibilidade à influência externa.

A priori, é imperioso destacar a desvalorização da cultura nacional dentro das instituições educacionais. Segundo a socióloga Hannah Arendt, a sociedade reproduz práticas deploráveis por não conhecer os seus impactos. Dessa forma, as escolas ao abordarem, de forma frívola, importantes movimentos construtores da identidade nacional, como o Romantismo, o Modernismo, e o Tropicália, garantem a manutenção dessa mesma postura dos indivíduos frente aos símbolos nacionais. Em suma, esse déficit de patriotismo desencadeia um quadro de vulnerabilidade cultural.

Por conseguinte, o escasso ufanismo corrobora com a alienação da sociedade. O escritor Nelson Rodrigues, ao cunhar o termo “Complexo de vira-latas”, discorre sobre o sentimento de inferioridade do povo brasileiro frente a tudo que é estrangeiro. Assim, esse narcisismo às avessas, ao deslegitimar a cultura nacional, torna o povo brasileiro suscetível à ação da Indústria Cultural, que segundo os pensadores da escola de Frankfurt, objetiva a homogeneização do público para torná-lo mais atingível no comércio de conteúdos padronizados.

Destarte, é imprescindível a tomada de medidas que mitiguem a atual problemática. Para formação de indivíduos patriotas, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) insira, na matriz escolar, matérias que apresentem e aprofundem nos movimentos e símbolos nacionais, a fim de valorizar a identidade nacional. Ademais, este mesmo órgão deverá, em parceria com veículos midiáticos, veicular campanhas de valorização da cultura brasileira, a fim de desconstruir o complexo de vira-latas em indivíduos que já estejam no ambiente escolar. Assim, espera-se que, com novos “Policarpos”, o processo de extinção do patriotismo tenha fim.