O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 30/10/2019
A “Declaração Universal dos Direitos Humanos” nasceu em 1948 como uma resposta do profundo conteúdo humanista às atrocidades ocorridas no holocausto. Durante essas sete décadas, foram se somando outros direitos: sociais, ambientais e econômicos, tendo em seu primeiro artigo, a defesa de que todos devem agir com espírito de fraternidade. Sob esse viés, ser patriota significa amar a pátria, valorizando a sua cultura, miscigenação e outros aspectos sociais, pois são responsáveis por alcançar o bem comum entre a sociedade, estabelecendo boas relações interpessoais, além de evitar a violência gerada pela intolerância ao próximo, fornecendo para todos dignidade, a qual é sinônimo de patriotismo.
A priori, na obra “Ética a Nicômaco”, Aristóteles retrata a conduta humana como uma prática de virtudes, tendo o homem como a causa de suas próprias ações e, portanto, sem uma práxis virtuosa não há possibilidade de se alcançar o bem comum entre a sociedade. Diante desse exposto, agir com espírito de fraternidade é considerado um princípio ético, o qual contribui para a valorização da cultura, miscigenação e outros aspectos sociais, para se atingir o bem entre a população e fornecer efeitos positivos para a nação, como por exemplo, relações sociais que respeitem a moral vigente. Por conseguinte, com a adoção do caráter fraterno, possibilitará a formação de um indivíduo patriota, servindo o seu país e sendo solidário com todos.
A posteriori, segundo o professor de ética da USP, Clóvis de Barros Filho, a dissonância cognitiva é a capacidade de evitarmos mundos em desalinho com nosso ponto de vista, possibilitando a formação do caráter intolerante. Em contrapartida, a alteridade é valorizar as diferenças entre a sociedade, sendo que, o seu não reconhecimento é o motor de discursos opressores, fomentando a violência. Em vista disso, ser patriota é também apresentar caráter tolerante, ou seja, possuir alteridade com o próximo, já que a valorização das desigualdades presentes na nação é um fator determinante para evitar atos violentos entre os indivíduos, estabelecendo a cidadania e a dignidade na pátria.
Em compêndio, é evidente que, para ser patriota é necessário amar à pátria, agindo com fraternidade e alteridade ao próximo, atingindo o bem coletivo entre a população. Nesse sentido, urge que o Governo crie medidas que estimulam o patriotismo, por meio de campanhas, propagandas, discursos e outros meios, que visam informar as pessoas da importância de ter amor à pátria, a fim de restabelecer esses conceitos que identificam o país, a soberania e a cidadania, além de evitar problemas com as relações sociais. Dessa forma, a sociedade servirá a sua nação de forma solidária, fraterna, digna e da melhor forma possível.