O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 01/11/2019
Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas suficientes ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário da discussão do patriotismo em questão no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento da desilusão dos brasileiros com o atual cenário do país, além do xenofobismo quando o sentimento patriota é exacerbado. Dessa forma, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.
Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas ao contemporâneo quadro brasileiro não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Nessa perspectiva, a Constituição Federal promulgada em 1988, após duas décadas de ditadura militar, transformou a visão dos cidadãos perante seus direito e deveres; contudo, mais de trinta anos após sua divulgação, alguns direitos ainda continuam impraticáveis. Aprofundando mais, é corriqueiro evidenciar-se em mídias televisivas e radiofônicas a crescente onda de violência, além de condições precárias do sistema público de saúde e de educação; tais panoramas corroboram na perca do sentimento patriota, tendo em vista a desilusão quanto aos direitos assegurados na Carta Magna permanecerem somente no papel.
Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve descendentes e não propagou para criatura sequer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: o atual cenário de xenofobismo no país é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Ademais, o sentimento de culto à pátria avivado contribui com a conjuntura citada e traz consigo comportamentos esdrúxulos, entre eles: rejeição e humilhação de estrangeiros e, em casos extremos, atrocidades como tortura e opressão. Com isso, é preciso intervir para que o extremismo não cause ainda mais brutalidades ao corpo social e aos imigrantes.
Destarte, são necessárias medidas que combatam a realidade debatida precedentemente. Assim sendo, o Poder Legislativo deve intervir, por meio de criações de leis mais abrangentes - como adesão a prisão perpétua nos casos de violência extrema -, a fim de efetivar os direitos assegurados na Constituição Brasileira. Aliado a isso, é imprescindível que o Ministério da Educação modele e guie o cidadão, por meio da educação de base, para que seu orgulho patriota se restrinja a barreiras do respeito ao próximo, com a finalidade de erradicar a supressão da democracia e liberdade. Somente assim, alcançar-se-ão forças suficientes para romper a inércia argumentada por Newton e haverá sentido ao cultivo do patriotismo.