O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 09/12/2019
O patriotismo não faz parte da realidade do brasileiro contemporâneo. O distanciamento da bandeira se deu em razão de diversos fatores, desde uma aversão ao sentimento nacionalista, que permeava os movimentos nazifascistas, até o combate à perversão do patriotismo corporificada pela ditadura militar. O resultado é um povo incapaz de engajar-se voluntariamente com medidas de âmbito coletivo, em um país dividido por uma fervorosa polarização política.
A identificação com o próximo é essencial para a cooperação entre seres humanos, enquanto que para a concretização de pequenas medidas, por grupos menores, as afinidades pessoais são determinantes, para a consecução de movimentos de âmbito nacional é necessária a identificação com uma ideia em comum. Em “Sapiens”, Yuval Harari identifica essa comunhão como propulsor de algumas das maiores conquistas da raça humana, verificando, inclusive, que a ideia de “nação” já serviu diversas vezes como catalisador de esforços conjuntos. Contudo, além das conquistas, essa mesma ideia já foi responsável por desencadear diversas guerras entre grupos que se identificaram com bandeiras distintas. Com medo da poderosa força resultante das comunhão dos indivíduos de uma nação, cujo poderio levou à famosa comparação feita por John Locke com criatura Leviatã, diversas medidas foram articuladas durante o século passado para neutralizar movimentos nacionalistas, o que resultou, por consequência, em uma fragilização do ideal patriota.
Ademais, a crescente polarização política, que marca o cenário nacional desde o retorno à república, compromete a possibilidade de cooperação entre brasileiros. A retórica maniqueísta, proveniente de expoentes partidários representantes de ambos os lados do espectro político, transforma questões de interesse mútuo em batalhas que só trazem benefícios aos candidatos que colocam-se em evidência, ao passo que prejudica o brasileiro comum, que assiste, impotente, seus interesses naufragarem em um mar de entraves políticos. Sem colaboração não é possível por em prática políticas que visem beneficiar o povo brasileiro como um todo, o resultado desse abandono estatal, é o crescimento de uma geração sem amor pela pátria, que pensa somente nos seus próximos, se não só em si mesmo.
Diante do exposto, impõe-se que seja posto um fim a este ciclo vicioso. A mudança deve começar nos jovens, os brasileiros precisam cobrar de seus representastes no Congresso Nacional a criação, e aprovação, de uma reforma no currículo escolar, a fim de incluir-se disciplinas que tenham como objetivo conscientizar os jovens acerca das conquistas obtidas pelo povo brasileiro e seus principais expoentes, assim como da importância de políticas de cunho coletivo para a nação como um todo. Assim se dará o primeiro passo para um ciclo virtuoso de solidariedade e colaboração entre brasileiros.