O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 30/03/2020
A obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor pré-modernista Lima Barreto, discorre sobre a trajetória de Policarpo Quaresma, um patriota que propôs, dentre várias medidas, a adoção do tupi como língua oficial do país, visando à valorização da nação. Indo de encontro à visão do personagem, é fato que, no Brasil hodierno, o patriotismo enfrenta entraves no que concerne a sua valorização, seja pela falta de estímulo, seja pelo descaso da população. Nessa perspectiva, é fulcral avaliar a manipulação dos indivíduos pelas grandes empresas, bem como os efeitos dessa questão no exercício da cidadania.
É profícuo salientar, em primeira análise, que a globalização - proporcionada pelos avanços nas telecomunicações - representa o principal agente de difusão dos hábitos e dos costumes dos países desenvolvidos em escala global, incentivando o consumismo. Tal fenômeno é ratificado pelo conceito de Indústria Cultural, que foi proposto por pensadores da Escola de Frankfurt e postula que as grandes empresas desenvolvem ideologias que se destinam à manipulação dos consumidores e à obtenção do lucro máximo por meio da massificação dos interesses individuais. Por conseguinte, a cultura de nações como os Estados Unidos é valorizada em detrimento da brasileira a partir, por exemplo, da predominância de filmes norte-americanos no cinema, atenuando o sentimento de identidade nacional.
Outro ponto relevante, nessa temática, relaciona-se à Teoria do Agir Comunicativo, a qual foi proposta pelo filósofo alemão Jürgen Habermas e evidencia que, num regime democrático, é papel de todos os cidadãos a participação nas atividades públicas por meio da expressão da opinião. Em contrapartida, percebe-se que o exercício pleno da cidadania não é efetivado devido à ausência do patriotismo, uma vez que os indivíduos podem se tornar indiferentes quanto ao desenvolvimento da nação. Dessa forma, o desinteresse político da população reflete diretamente na ineficaz garantia dos direitos sociais por parte do Estado, perpetuando problemas como a marginalização, a falta de segurança pública e os índices precários de educação em algumas regiões do país.
Em suma, observa-se que a carência do sentimento de identidade nacional pode advir da grande valorização da cultura alóctone e afetar a participação nas atividades políticas. Posto isso, com o intuito de fomentar o patriotismo desde a juventude, urge que o Ministério da Educação, por meio de subsídios governamentais, crie campanhas na esfera escolar e nas redes sociais que explicitem a importância da valorização dos hábitos e dos costumes autóctones, dando ênfase à necessidade dessa virtude no estímulo ao exercício da cidadania. Somente assim, poder-se-á promover a identificação dos indivíduos com os valores da pátria, conforme foi proposto na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”.