O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 20/06/2020

Na obra “Lições sobre ética”, o filósofo Ernst Tugendhat faz uma reinterpretação do contratualismo social para explicar a necessidade de uma sociedade comprometida com o sistema de conduta e de indignação alicerçados em uma relação de justiça e igualdade. Nesse contexto, a representatividade e a ética fundamentais para manutenção do patriotismo.

A princípio, o autor aborda a cessão de direitos individuais para constituir-se o Estado a fim de garantir o bem-estar da coletividade, ou seja, da nação. Entretanto, logo após a formação da atual dicotomia política, tem-se noticiado pelos principais telejornais do país um constante sucateamento das instituições públicas, principalmente relacionadas à Saúde, Ensino e Pesquisa no Brasil, acentuando ainda mais a desigualdade social entre os brasileiros.

Outrossim, nos últimos meses, a Rede Globo, bem como outras grandes emissoras, noticiam uma série de reportagens contendo graves denúncias de corrupção envolvendo pessoas do mais alto escalão do Governo. Tudo isso contribui para gerar um sentimento de impunidade que macula a Justiça nacional e acaba refletindo sobre o patriotismo, uma vez que, para Tungendaht, a ética de governantes e a efetividade das instituições pública refletem-se sobre o nacionalismo dos cidadãos.

Portanto, os cidadãos precisam, por meio de redes socais, convocar assembleias entre moradores locais a fim discutir e defender os direitos da coletividade, bem como executar os deveres de cada cidadão para com a comunidade local, exercendo, assim, a cidadania. Ademais, os partidos políticos, por meio de seus representantes eleitos, devem priorizar as comissões que investigam atos de corrupção na esfera governamental a fim possibilitar o trabalho da Justiça e garantir a autonomia de cada Poder Constitucional, atualmente ameaçado pelo Executivo. Assim, como exposto na obra de Tungendhat, com ética e transparência, o Estado poderá reconstruir o sentimento de patriotismo e reapropriar-se de símbolos nacionais outrora tomados por ultrarradicais e ufanistas.