O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 05/04/2020

A Semana de Arte Moderna, em 1922, foi um evento de cunho nacionalista por utilizar elementos da cultura brasileira aliados a estrangeiros. Tal ideologia patriótica, contudo, é limitada na hodiernidade, haja vista o sentimento de exaltação ao país restrito a festividades nacionais e o desrespeito à legislação por atos discriminatórios, realidade que vai de encontro ao princípio de cidadania.

Concernente à temática da valorização de elementos brasileiros, há uma influência dos eventos territoriais nessa questão. Essa assertiva é validada pelo orgulho nacional advindo de manifestações culturais e períodos esportivos, como o evidenciado no governo ditatorial do ex-presidente Emílio Médici, pela vitória do Brasil, na Copa do Mundo de futebol em 1970, panorama que instigou, na sociedade, um sentimento de amor à pátria. Todavia, por ser um patriotismo momentâneo, descaracteriza o papel de defesa da nação, visto que é manifestado quando convém ao cidadão, prática essa que gera, no meio social, um falso orgulho à pátria.

Ademais, atos preconceituosos, em um país miscigenado, implicam na prática do nacionalismo. Essa premissa é observável nas violências físicas e verbais por fatores de distinções regionais, isto é, subjetividades de cada comunidade são alvo de ações preconceituosas, resultando em um isolamentos de grupos sociais e, por conseguinte, na invisibilidade da união social por divergências culturais internas, contexto destacado pela Constituição Federal brasileira ao expor, em seu artigo 5º,  a liberdade de expressão como direito do cidadão. Desse modo, é necessário o desenvolvimento de uma integração social.

Portanto, é viável a adoção de medidas para estimular a valorização do Brasil pela população. Para tanto, o Ministério da Educação deve exigir das escolas nacionais uma educação consciente quanto ao sentimento patriótico e, assim, a contribuição individual em beneficiamento do país, mediante debates em sala por matérias sociais, a fim de garantir a formação de cidadãos atuantes. Outrossim, os órgãos jurídicos federais devem cumprir com a Carta Magna brasileira, por meio da penalização de atos preconceituosos, com o intuito de reduzir ações que sejam contrárias a ideologia de pertencimento nacional e à relação do indivíduo com seus compatriotas. Logo, os aspectos nacionais abordados na Semana de Arte Moderna serão, gradualmente, mais valorizados pela população no Brasil.