O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 12/04/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira assegura a todos os cidadãos o direito à saúde, educação, segurança e bem estar social. Todavia, o crescimento acelerado dos centros urbanos e a inexorável dinâmica capitalista contemporânea têm implicado diversos problemas sociais e prejudicado o exercício pleno dos bens jurídicos tutelados. Diante disso, evidencia-se a necessidade de intervenções estratégicas por parte do Estado, aliado à cooperação popular, com vistas a diminuir as injustiças e resgatar o sentimento de orgulho cívico advindo do ideal de pertencimento.

Sabe-se que o combate à desigualdade social é fator primordial para o progresso das Nações emergentes. Atualmente, apesar de figurar entre as maiores economias mundiais, o Brasil enfrenta graves entraves ligados à concentração de renda, que geram impactos na segurança pública e, consequentemente, na homeostase cotidiana. Conforme pesquisa desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, no país, 1% da população mais rica retém renda maior do que a angariada pelos 50% mais carentes.Tal situação é intensificada pela inércia das autoridades competentes em contornar o hodierno panorama e refletido no sentimento de desamparo experimentado pelos mais necessitados.

Faz-se imperioso, ainda, salientar que o aparente descaso político frente aos problemas supracitados abala contundentemente o culto aos valores nacionais. É utópico contar com sentimento patriótico  daqueles que não possuem abrigo, alimento e água potável para auto-subsistência, como é o caso das comunidades que emergiram no entorno do lixão a céu aberto da Estrutural, cidade satélite do Distrito Federal, onde a população retira comida e vestimenta dos rejeitos. Isto posto, torna-se seguro afirmar que para haver amor à pátria, o mínimo zelo deve ser envidado em contrapartida.

Destarte, depreende-se que o sentimento de integração é força motriz do patriotismo. Logo,cabe ao governo federal articular junto ao parlamento medidas que visem promover a dignidade humana dos cidadãos brasileiros. Para atingir esse fim, é importante que o Congresso Nacional estude normativas que motivem a conclusão do ensino básico e facilitem a inserção no mercado das parcelas marginalizadas, mediante apoio financeiro simbólico a estudantes de baixa renda e exigência de cota mínima para contratação dessas minorias em grandes empresas, com prazo contratual mínimo de um ano. Assim, uma sociedade mais igualitária será alcançada gradativamente e crescerá junto com culto ao solo e aos símbolos do país.