O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 12/04/2020

O livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, decorre a historia do General Quaresma, um cegamente ufanista, que como o próprio título da obra sugere, teve um triste fim, decepcionado com todas suas ilusões. Fora da literatura, o patriotismo tem basicamente o mesmo efeito -é considerado como uma virtude, mas é igualmente inundado de ingenuidade,falta de senso crítico e, posteriormente desapontamento.

Vale ressaltar, inicialmente, que o amor a pátria é desnecessário e nada colabora com a evolução da sociedade. Nesse espectro, o livro Os Sertões de Euclides da Cunha documenta a Guerra de Canudos, na qual uma comunidade independente é formada por pessoas revoltadas por serem utrajadas por seu próprio país. Com isso, eles foram considerados traidores, mas a lição desse acontecimento histórico é que irracional amar uma Unidade Federativa, quando esta mesma te oprime. Assim, um paralelo pode ser traçado com as pessoas que começam adorando seu país, mas vêem-se mais tarde injustiçadas por ele.

Por outro lado, o estímulo ao amor a nação pode ter razões manipulatórias, enquanto o pertencimento, em si, é completamente natural. Nesse contexto, os Estados do mundo todo usaram e usam o patriotismo como ferramenta de controle. Não a toa Hitler, assim como todos os ditadores, estimularam o nacionalismo através da cultura e da mídia. Conclui-se, portanto, que esse não é um processo espontâneo, por pátria estar relacionado a território, ou seja, a uma relação de poder. O mesmo não ocorre com o pertencimento, que está relacionado ao espaço, logo por uma simples relação de afeto.

Assim, pode-se concluir que o patriotismo é propriamente ingênuo e contraditório, servindo também como uma ferramenta de controle do Estado. Por isso, instituições como a escola e a mídia devem parar de estimular a adoração a pátria, mas o pertencimento a determinado espaço ou cultura. O conteúdo destas deve ser mais regional, abordando noções culturais e com enfoque a pluralidade e não no ideal de unidade nação. Dessa forma, as diversidades brasileiras ficarão ainda mais evidentes e o ufanismo unilateral de Policarpo Quaresma ficará bem distante do sentimento da população.