O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 17/11/2021
“Pátria amada, Brasil”, além de icônico verso do “Hino Nacional”, tornou-se, também, lema da gestão Bolsonaro, no sentido de enfatizar a tendência de sua administração em prestigiar elementos que remetem à valorização dos símbolos nacionais. Contudo, constata-se, no país, a dificuldade de construir uma unidade de discurso em torno da função social do patriotismo, haja vista o recorrente uso indevido do termo por governos autoritários, bem como a prevalente educação deficitária na formação dos cidadãos. Dessa forma, é imperioso discutir medidas na perspectiva de atenuar tal problema.
Importa debater, a princípio, a reincidência histórica da utilização política de emblemas nacionais para segregar a população, de modo a contribuir para a distorção do significado do patriotismo. Nesse sentido, destaca-se o lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”, durante a Ditadura Militar, como um provocador de intimidação àqueles que não estavam alinhados ideologicamente com o governo da época, servindo como uma espécie de parâmetro para aferir o quanto o cidadão é patriota ou não. Tamanho disparate agride frontalmente a cidadania e distorce acintosamente tão importante conceito de amor à pátria.
Ademais, a persistência de uma educação pouco crítica corrobora para a manutenção dos usos escusos da palavra patriota. Sob essa perspectiva, vale mencionar o eminente pensador Paulo Freire, ao defender uma proposta de ensino de ensino voltada para a emancipação do indivíduo, de modo a promover a sua autonomia, podendo, assim, romper com a lógica segregacionista de classificar quem ama ou não o país por sua posição ideológica frente ao governo. Logo, apenas um processo educacional baseado em valores coletivos e solidários possibilitará o desenvolvimento nacional de forma plural, respeitando a indispensável liberdade de opinião, de maneira a materializar um legítimo amor a pátria.
Em face dessa problemática, faz-se inadiável, portanto, diligências para resgatar os reais valores do patriotismo no Brasil. Posto isso, convém ao Ministério da Educação - órgão responsável pelas diretrizes educacionais no país -, em parceria com os veículos de comunicação, realizar campanhas enfáticas sobre os reais elementos constituintes da ação patriótica, por meio da promoção de palestras nas escolas e de exibições publicitárias nos meios midiáticos. Tal mobilização tem por finalidade difundir na população o reconhecimento de valores de compromisso com a nação, como a proteção dos recursos naturais e dos bens culturais, bem como o combate à corrupção. Assim, será possível colaborar fortemente para que os “filhos deste solo” vivam o verdadeiro orgulho de sua “mãe gentil”.