O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 29/04/2020

Na obra de Lima Barreto “Triste fim de Policarpo Quaresma”, observa-se uma personagem extremamente nacionalista. Todavia, na atualidade brasileira, os sentimentos patriotas vêm sendo atropelados pelas disputas entre esquerda e direita. Reestabelecer o amor à pátria acima dessas correntes ideológicas é necessário para que se possa retomar o conceito de “ordem e progresso”, antigamente tão prezados pela nação.

À priori, deve-se destacar o detrimento do patriotismo em decorrência da falta de uma sensação de pertencimento. Tendo em vista a letra da canção “Faroeste Caboclo”, interpretada por Renato Russo, é evidente que a personagem da música cometia delitos por sentir que não pertencia ao lugar onde vivia, buscando então abandonar a fazenda onde crescera para encontrar outro local onde pudesse se encontrar. Esse sentimento é descrito pelo advogado Antônio Fernando Pinheiro, o qual defende que os jovens da atual geração não são capazes de absorver as normas morais e cívicas, ou mesmo de nutrir sentimentos pela nação - visto que não se sentem membros efetivos desta pois não recebem cuidados do Estado e não enxergam progresso no país.

Ademais, o Jornal Folha divulgou em 2018 uma estatística relatando que 62% dos jovens brasileiros deixariam o Brasil se pudessem em busca de melhores condições de estudos e trabalho, destacando a incompetência dos governantes em desenvolver medidas que motivem os jovens. Com as verbas universitárias cortadas e o desemprego atingindo 12,5 milhões de pessoas em 2019, é difícil acreditar na possibilidade de crescer profissionalmente dentro do país. Com  isto, o exterior se torna cada vez mais uma meta para nossos jovens, e o desenvolvimento do país e o amor à pátria se fazem cada vez mais obsoletos.

Fica evidente, portanto, a necessidade de promover o retorno do sentimento nacionalista aos jovens, por meio de incentivos que visem contribuir com o meio acadêmico e com as experiências profissionais de trabalho. O Estado, por meio do MEC deve promover medidas fiscais que auxiliem não só o jovem como a sua família, para sanar a evasão em virtude da necessidade de trabalhar para ajudar à família. Além disso, devem ser criadas medidas entre o MEC e o Ministério do trabalho para evitar o desemprego que já é imposto aos estudantes no momento em que se formam. Deve-se fiscalizar as empresas que se recusam a empregar estudantes recém-formados e sem experiência comprovada. Desta forma, a atual geração pode voltar a acreditar numa pátria focada no progresso e o pais poderá voltar a crescer interna e externamente. Excluindo, então, a possibilidade de um triste fim para os patriotas, como fora o de Policarpo Quaresma.