O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 08/07/2020

Na Grécia Antiga, o espartano era dotado de patriotismo, pois desde criança foi ensinado a amar à polis e a entregar a sua vida pelo futuro dela. Hodiernamente, o cenário mudou e o conceito de nacionalismo foi deturpado por vários fatores, dentre eles: o descrédito da população com o Estado e o crescimento do individualismo na sociedade. Por isso, é relevante o debate sobre as modificações contemporâneas no conceito de patriotismo, bem como a sua aplicação no país.

A princípio, o pensador Dahrendorf cria o conceito de anomia, a qual significa uma condição social em que as normas reguladoras do país perdem a validade, pois o povo desacredita no Estado. De fato, no Brasil, muitas leis são negligenciadas pelo Governo, logo, elas perdem o seu poder constitucional e, por conseguinte, são invalidadas pela sociedade, isto é, o povo não confia no funcionalmente das normas, devido a sua baixa aplicação. Nesse sentido, o patriotismo se torna um sentimento difícil de ser incluído no país diante desses fatores, uma vez que se as pessoas não aceitam o modo como é conduzido o país, elas tendem a criar um sentimento antagônico ao nacionalismo, ou seja, uma revolta. Desse modo, é necessária a transformação da estrutura do poder público, de modo a gerar confiança nos brasileiros quanto ao sistema estatal.

Outrossim, um dos motores do patriotismo espartano foi a forte coletividade presente entre eles. Entretanto, na pós-modernidade, consoante Zygmunt Bauman, impera o individualismo por intermédio de relações “líquidas”, quer isso dizer, vínculos fracos. Nessa conjuntura, percebe-se um desafio para se construir um ampla sensação de nacionalismo, visto que o individualismo enraizado na sociedade hodierna provoca o isolamento dos indivíduos e, com isso, a ideia de nação - resultado da cooperação de um povo - é perdida pela noção de indivíduo. Dessa maneira, é necessário utilizar a educação para transformar esse cenário, afinal, como disse Immanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”.

Destarte, cabe ao Ministério Público, a criação de uma campanha chamada “Os Olhos do Povo”, na qual deve ser disponibilizado canais de denúncia, pelo telefone e pela Internet, nos quais a população poderá apontar os descumprimentos das leis realizados pelo Estado e, com isso, impedir a perpetuação do cenário de anomia e, inclusive, permitir um panorama propício ao patriotismo. Além disso, cabe ao Ministério da Educação a o estímulo nas escolas às atividades educativas em coletivo, a fim de impedir o avanço do individualismo e, portanto, garantir que a nação esteja sempre acima do individual, semelhante à polis grega de Esparta.