O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 14/05/2020
Em “O Contrato Social”, o contratualista Jean Jacques Rousseau preconizara que o amor à pátria seria “o elixir da salvação de um povo”, sendo, assim, fulcral a uma exímia consolidação governamental. No entanto, hoje, o Brasil se mostra dissonante de tal noção, pois tolheu-se o patriotismo do arcabouço social. Destarte, a ausência do conceito de lugar é a principal razão à problemática, a qual incita uma aversão ao país.
Primeiramente, conforme a definição geográfica, “lugar” é um espaço que transpassa pertencimento ao indivíduo. Para depreender melhor, vale destacar a canção “Meu Lugar”, de Arlindo Cruz. Com ela, o sambista oferece sua óptica acerca do local onde crescera, Madureira, sobredourando-o com ênfase nostálgica de pertencimento. Embora reconhecida, é uma das poucas produções artísticas que têm o fito de enaltecer a noção, de modo que, atrelado ao baixo incentivo estatal, corrobora o ínfimo patriotismo no Brasil.
Por conseguinte, muitas vezes, algumas pessoas, encaixadas nesse cenário obsoleto, tendem a estigmatizar o próprio país. Evidência disso é um reconhecido “post”, no “Orkut”, o qual, antes de sua famosa colocação: “nada acontece, feijoada”, colocava em voga o ódio e o nojo do usuário em face da nação brasileira. Nesse prisma, é notório que, do contrário do amor à pátria de Rousseau, manifestam-se discursos negativos sobre o Brasil, de forma a caracterizar o antagonismo entre tal contratualista e a realidade do país hodiernamente.
Portanto, visto a intempestividade dessa mazela, infere-se a imperiosidade em dissolvê-la para tornar ubíquo o patriotismo no país. Para tanto, compete ao Ministério da Cidadania - enquanto órgão deliberativo máximo sob a sociedade brasileira - o dever de, por meio de verbas governamentais, investir em produções culturais que destaquem a nação, incentivando, com base no calendário de feriados, celebrações nacionais com foco no pertencimento brasileiro, a fim de promovê-lo e de atenuar a aversão endêmica. Desse modo, observar-se-ia um país mais unido, forte e consoante ao “O Contrato Social”, de Rousseau, o qual compreende o patriotismo com coercitividade.