O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 12/08/2020

Na obra “O triste fim de Policarpo Quaresma”, o protagonista é subjugado e tachado como louco por tentar instaurar a língua tupi como oficial no Brasil. Assim, nota-se que o personagem foi reprimido na busca de valorizar a identidade e a cultura brasileira em sua forma nativa. De maneira análoga à literatura, há ainda a repulsão do patriotismo em detrimento do enaltecimento de outras nações que, por sua vez, suplanta o sentimento identitário nacional. Nesse sentido, faz-se imprescindível a análise das ramificações históricas e culturais que corroboram a problemática.

Sob esse viés, cabe destacar a depreciação histórica dos brasileiros à identidade nativa. Acerca disso, desde o século XIX, no contexto da “Belle Époque”, houve intensa influência europeia nos costumes, sobretudo no Brasil, uma vez que, até mesmos o modo de se vestir e a produção cultural vanguardistas foram intensamente assimilados pela sociedade brasileira. Na conjuntura hodierna, percebe-se ainda, o legado dessa homogeneização, que infelizmente imerge o cidadão numa baixo autoestima e preconceito contra seu próprio país ao atribuir apenas características negativas à nação, como violência, desigualdade social e défice nas qualidades dos serviços básicos.

Além disso, é pertinente ressaltar a dependência cultural como catalizador da falta de patriotismo brasileiro. Sob esse prisma, o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues cunhou a expressão “complexo de vira-latas” para explicar a herança de um país, outrora colonizado, como o Brasil, que ainda não conquistou independência cultural e, sob o subterfúgio econômico, despreza sua nação a medida em que exalta as produções culturais internacionais. Nota-se isso, na preferência majoritária dos cidadãos brasileiros por filmes “hollywoodianos”. Tal predileção é evidenciada nas ofertas televisivas e das plataformas “streamings - Netflix” - predominantemente norte-americanas, como um reflexo da procura desse padrão de consumo e, consequentemente, os filmes brasileiros, enquanto produções culturais nacionais, são menosprezados.

Depreende-se, portanto, a necessidade de alternativas que visem maximizar o sentimento patriota na sociedade como forma de valorização à identidade nacional. Pata tanto, urge a articulação do Ministério e das Secretarias Municipais de Educação e Cultura, para a promoção de debates sobre a necessidade de cultivar a identidade da nação, por meio de palestras municipais que contemplem todo o corpo social – com assistentes sociais e psicólogos especialistas no tema abordado – a fim de forjar no cidadão a convicção de pertencimento ao seu país. Dessa maneira, será possível subverter o fim dos Policarpos que prezam por sua pátria.