O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 22/05/2020

O jornalista Carlos Lacerda, em resposta às tensões nacionalistas de sua época, conceitua o patriotismo como o reconhecimento da preciosidade de uma nação por parte de seus cidadãos, enquanto o nacionalismo é uma forma sutil de submeter os indivíduos ao autoritarismo governamental. Nessa perspectiva, o brasileiro não pode ser considerado tradicionalmente patriota, já que a maioria desconhece de grande parte da cultura nacional e desvaloriza o que é produzido pelo próprio país. Diante disso, cabe questionar como mitigar esse sentimento de inferioridade por parte da população.

Em primeira análise, destaca-se a falta de conhecimento cultural e histórico como o motivador para a ausência de patriotismo entre os brasileiros, visto que, não há como se sentir parte de um local em que pouco se entende o valor. Nesse aspecto, observa-se  o artigo 6º da Constituição de 1988  que garante o direito social à cultura e à educação. Não obstante, as medidas que seguem tais diretrizes ignoram, muitas vezes, a cultura dos diferente povos que integram a nação, por conseguinte favorecem a insipiência do povo em relação ao seu próprio valor. Dessa forma, parte do esforço de gerar indivíduos que se identificam com o seu país está na adesão de medidas educacionais referentes à cultura.

Além disso, outro fator a ser debatido acerca da necessidade do patriotismo  é a desvalorização do produto nacional e suas consequências. Isso porque essa preferência pelo que é estrangeiro causa fuga de capital do Brasil, ou seja, ao preferir o produto internacional, o cidadão está diminuindo o potencial de crescimento do próprio país. Convergente a isso, desde o Mercantilismo, os países desenvolvidos tentam manter a balança comercial superavitária, variando a intensidade das medidas protecionistas, mas nunca eliminando todas elas. Contrário a isso, o Brasil sofre a perda de consumidores da própria nação pela crença de que um produto importado é de maior qualidade do que o nacional. Desse modo, a mercadoria nacional deve ter incentivos para competir até que a população adquira o hábito de preferir o que é de sua pátria.

Portanto, tendo em vista as principais consequências do precário patriotismo brasileiro, infere-se a necessidade de mudanças. Para isso, o Ministério da Educação deve adicionar à grade curricular aulas que ensinem os símbolos culturais do Brasil, assim como a história deles, por meio de visitas aos museus, aos parques e aos teatros, a fim de despertar o patriotismo real, como definiu Lacerda. Ademais, o Poder Público precisa diminuir os impostos sobre os produtos nacionais, com o fito de torna-los competitivos em relação às mercadorias estrangeiras.