O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 21/06/2020

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Com essa frase, o escritor Luís de Camões sintetiza a efemeridade das necessidades humanas. Entretanto, essa metamorfização da vontade de um povo é apenas em sua forma, pois, essencialmente, os objetivos pátrios hodiernos constituem-se em formas de manutenção de poder, por meio da massificação cultural da sociedade. Assim, o patriotismo brasileiro é resultado de símbolos impostos por uma elite aristocrata.

Nessa conjuntura, o filósofo Foucault diz que “o homem é fruto de um processo histórico”. Nesse ínterim, a História do Brasil apresenta diversos episódios de supressão e manipulação das identidades culturais. Tem-se, por exemplo, a catequização indígena, a escravidão africana e o movimento imigrante no início do século XX, integrado, principalmente, por europeus, que receberam diversos benefícios na época, em detrimento a população negra recém alforriada, relegada à marginalização. Dessa maneira, fica explícita a manobra para delimitar a cultura da sociedade brasileira aos moldes dos nossos colonizadores.

Ademais, o atual cenário político mostra a falta de identidade nacional que o Brasil ainda atravessa. Na escultura do artista Flávio Cerqueira, “Amnésia”, é apresentada a figura de uma criança negra derrubando sobre si um balde de tinta branca. Destarte, o presidente Jair Bolsonaro, ao incentivar a consolidação de um país conservador, cristão e patriarcal, promove uma tentativa de apagar a cultura histórica brasileira, criticando quaisquer movimentos de apoio a indígenas e quilombolas, que são partes integrantes, essencialmente, de nossa história. Dessa forma, essa manipulação da imagem pátria distorce o sentimento de pertencimento individual em uma nação.

Portanto, fica evidente que a questão do patriotismo na sociedade carece de identidade e representatividade. Logo, deve-se, por parte da população como um todo, apoiar as campanhas de fortalecimento cultural, como as Organizações Não Governamentais de assistência aos índios e quilombolas, por meio de trabalhos voluntários, ajuda financeira, ou até mesmo divulgação nas redes sociais. Assim, cada vez mais a sociedade se livrará da visão manipulada da identidade cultural, caracterizada pelos olhos do colonizador, e fortalecerá os laços nacionais históricos, tão relevantes na nossa construção como nação, para, então, criar o verdadeiro sentimento de patriotismo brasileiro.