O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 22/06/2020

O Romantismo brasileiro, inaugurado em 1836, valorizou um forte patriotismo em seus textos literários. Muitos foram os símbolos reveladores desse amor pela pátria: índio, fauna, flora, língua, revelando, assim, intenso nacionalismo laudatório. No entanto, percebe-se que, na contemporaneidade, há uma acentuada crise de pertencimento do brasileiro a seu país, justificada pelo patriotismo sazonal e pela marcante influência cultural de outros países como os Estados Unidos da América.

Primeiramente, as manifestações patrióticas do Brasil acontecem, geralmente, em datas específicas como Copa do Mundo, Olimpíadas, Carnaval e, dependendo do ano, nas eleições. Essa postura marcadamente temporária aponta uma fragilização de afeto do brasileiro com sua pátria, imperando, consequentemente, o individualismo frente ao patriotismo. Segundo o filosofo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade líquida”, o indivíduo vive uma crise de valores na pós-modernidade ao valorizar a busca de seu sucesso pessoal, ao escolher, muitas vezes, a superficialidade nas relações afetivas e sociais e ao demonstrar, quase que inevitável, o esfacelamento de sua identidade. Dessa maneira, esses problemas atuais acentuam a diminuição de civismo em relação ao nosso país, pois o ser humano se sente muito mais apegado aos seus interesses.

Outro argumento é a intensa influência de outros países, principalmente a dos EUA. Músicas, séries e filmes americanos, por exemplo, impõem, a todo o momento, a visão de mundo do país de Tio Sam ao ditar sua ideologia capitalista de mundo, isto é, o “American way of life”. Nelson Rodrigues, dramaturgo brasileiro, na década de 1950, usou o termo “complexo de vira lata” para indicar a falta de autoestima do brasileiro ao supervalorizar a cultura que vem de fora e menosprezar as tradições culturais do Brasil como o folclore, a música, a dança, a literatura e a música brasileiros. Desse modo, esse jeito de ser do brasileiro persiste e demonstra o quanto tem que ser desprendido para, assim, revelar novamente o que os poetas da primeira geração romântica pregavam: a necessidade de se afastar dos moldes artísticos europeus, visando a uma arte realmente brasileira numa busca pela identidade nacional.

Portanto, com vistas a potencializar o sentimento patriótico e a divulgar a riqueza e a diversidade dos símbolos brasileiros para os estudantes, o Ministério da Educação e a Secretaria de Cultura devem elaborar campanhas publicitárias e projetos educativos e artísticos por meio de atividades que unam o universo escolar e a classe artística, produzindo, especificamente, adaptações de diversas tradições culturais brasileiras para o audiovisual a serem apresentadas e trabalhadas nas disciplinas de português, sociologia, arte, história, por exemplo.