O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 23/06/2020

O livro “Triste fim de Policarpo Quaresma” conta a história de um patriota que de tão apaixonado por seu país passa a ter aversão à outras nações e a cultura neles presente. Infelizmente, essa realidade não se resume apenas às páginas, visto que no atual cenário brasileiro, muitos cidadãos confundem patriotismo com nacionalismo, apresentando um sério risco à democracia.

Desde as eleições de 2018, os cidadãos começaram a se declarar como patriotas, contudo, a palavra perdeu o significado e confundiu-se no processo com nacionalismo, que é o movimento onde incluí a menosprezo às demais nações, devido à impressão de superioridade. Isso pôde ser visto em território brasileiro quando um colombiano recebeu uma marmita com cacos de vidro e foi hospitalizado, tal fator deve-se também a ideia de que estrangeiros são “ladrões de empregos” que somatizados à ideia deturpada de patriotismo, ocasionam o ódio ao imigrante, apresentando ações contrárias ao que sugere os direitos humanos.

Além do mais, tais padrões comportamentais já foram vistos ao longo dos anos em momentos históricos como em 1945 com a ideia da supremacia alemã e superioridade étnica, durante a Segunda Guerra Mundial, caracterizando o fim da democracia e esquecimento dos direitos humanos, assim como ocorreu no Brasil durante a ditadura militar com a instauração do AI-5, que desrespeitou a constituição com a suspensão do habeas corpus. Ambos movimentos tinham como slogan a supervalorização da própria nação, o que se mostrou uma grave ameaça à democracia.

Em virtude dos fatos mencionados, nota-se que sempre existiu uma confusão entre o patriotismo e nacionalismo, e que ao longo da história isto foi problemático para a sociedade. Logo, é imprescindível visando a manutenção da democracia em relação ao patriotismo no Brasil, que o Ministério da educação, responsável por coordenar às instituições de ensino, em parceria com a câmara dos deputados por meio de um projeto de lei onde seja obrigatório aulas sobre cidadania e ética civil, assim, tornando a sociedade capaz de identificar um governo autoritário, além de diferenciar termos semelhantes em aulas de história.