O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 05/07/2020

De volta ao Pau-Brasil

O “Movimento Pau-Brasil”, lançado por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, visava retomar o ufanismo, de maneira a redescobrir a literatura, valorizando a abordagem patriótica. Todavia, no Brasil hodierno, o amor à pátria encontra-se pouco presente, seja devido à falta de vínculo com relação aos elementos nacionais, seja devido ao acentuado individualismo da sociedade contemporânea. Logo, é imperativo discutir sobre a questão do patriotismo no Brasil e suas causas.

Em primeiro plano, o historiador e jornalista, Heródoto Barbeiro, afirma que o fato de a Ditadura Militar ter se apropriado dos símbolos nacionais fez com que quem era contra esse sistema rechaçasse as demonstrações cívicas. Nesse sentido, tal cenário resultou em um movimento coletivo de abandono do nacionalismo e do vínculo quanto aos símbolos nacionais. Ademais, esse quadro corrobora um olhar de inferioridade do país, ao qual o sociólogo, Caio Prado Júnior, relaciona com a colonização exploratória do Brasil- em que esse possuía como fim exclusivo atender aos interesses externos- ocasionando, assim, em uma deformidade social expressa pela busca de valores e comportamentos no exterior, o que perpetua a ausência de amor à pátria da população.

Outrossim, segundo o sociólogo Zygmund Bauman – em sua obra “Modernidade Líquida” - vive-se na época em que a vida social passa a ter como âmago o individualismo. Nessa perspectiva, ocorre a dissociação máxima entre indivíduo e sociedade, sucedendo em pessoas que abdicam de sua cidadania. À vista disso, similar ao livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do autor Lima Barreto - em que o caráter patriótico do protagonista gera um grande estranhamento da sociedade- hodiernamente, a exaltação nacional no Brasil não é bem aceita fora de campeonatos esportivos, resultando em um domínio do interesse próprio em detrimento do coletivo e na estagnação social quanto ao patriotismo.      Em síntese, é categórico que se solucione essa problemática. Assim sendo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, ministre palestras com sociólogos e historiadores que estimulem reflexões críticas sobre o patriotismo, a fim de incentivar o comportamento cívico da população e, dessa forma, incentivar o amor à pátria e a importância dos elementos nacionais. Dessarte, a mentalidade colonizadora e individualista ficará para trás e a exaltação da identidade sociocultural do país será viabilizada.