O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 19/07/2020
Historicamente, os modelos de governo existentes no Brasil sempre basearam-se no favorecimento e realização dos desejos dos latifundiários. Além disso, as sutis modificações sociais existentes que promoveram a inclusão educacional e de direitos do povo negro e pobre, só foram realizadas para impedir que o grande sistema -governo de elite para elite- por trás desse processo fosse modificado. Desse modo, o patriotismo em questão no país está cada vez menos evidente, pois não há fatores atuais que proporcionem o orgulho em ser brasileiro, pelo contrário, há uma diminuição voluntária desses indivíduos perante a própria existência.
A princípio, o sociólogo e dramaturgo Nelson Rodrigues define a crise do povo brasileiro como “Complexo de Vira Latas”. Assim, o processo de inferioridade cultural, econômica e ética que o próprio brasileiro intitula-se é reflexo, segundo o autor, da ausência de “heróis nacionais” que promovam orgulho, e ademais outro fator que dificulta o processo de valorização da pátria está vinculado a supervalorização do externo, principalmente com a “americanização” musical, artística e cultural favorecida pela mídia.
No entanto, o processo de inferioridade realizado pelo brasileiro, também é reflexo dos governos oligárquicos que com o intuito de tornar o Brasil mais “bonito”, na visão europeia, e a fim de esconder o passado escravista, destruíram os principais patrimônios históricos com medidas como “Bota abaixo” referente aos cortiços. Outrossim, governos neoliberais que, em busca de obter lucro a todo custo, vendem patrimônios ambientais e energéticos para compradores internacionais. Esse processo é evidente na música do artista Raul Seixas “a solução é alugar o Brasil, nós não vamos pagar nada, é tudo free”. Nesse sentido, toda tecnologia, método ou território, exclusivamente nacional, capaz de gerar modificação no cotidiano do povo brasileiro é vendido para o capital externo.
Finalmente, é importante que o Ministério da Cidadania promova o incentivo as escolas públicas com o envio de especialistas que explicitem e valorizem a nacionalidade brasileira. Nesse ínterim, durante as aulas, proporcionadas pelo Estado, deve ser demonstrado aos alunos os principais esportes, comidas e religiosidades que existem nas principais matrizes do povo brasileiro: indígenas e afrodescendentes, para que a excessiva internacionalização, realizada cotidianamente pelas mídias sociais, não seja a única cultura vívida e concreta no consciente dos brasileiros.