O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 10/08/2020
No século XIX, a corrente literária romântica estimulou o crescimento do nacionalismo no Brasil. Por meio de poemas, músicas e artes plásticas, o país foi unido por uma cultura em comum. Atualmente, entretanto, o patriotismo se torna um perigoso causador da xenofobia e da conformidade com atrocidades que ocorrem na república. Estas são duas das mais graves consequências do ufanismo brasileiro, que precisa ser combatido por intermédio da educação.
Primeiramente, reconhece-se que a xenofobia é um preconceito contra pessoas de outra nacionalidade, que se mostra em agressões e legislações que restringem os direitos dos estrangeiros. Em paralelo, no ano de 2018 o presidente Jair Bolsonaro foi eleito com um slogan muito característico: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Este discurso foi propício para muitos civilistas que pretendiam erguer o orgulho patriota novamente. Assim, muitas medidas que o presidente tomou foram de cunho excludente e demasiadas falas dele estimularam a xenofobia. Por exemplo, em crítica ao governador do Maranhão, Bolsonaro o chamou de “governador da Paraíba”, sendo este um termo utilizado pejorativamente contra os nordestinos. Além disso, várias ofensas contra os asiáticos também foram registradas, mostrando que esse preconceito acompanha o nacionalismo extremo.
Ademais, é comum que o ufanismo traga uma paixão exagerada pela república, de forma que os patriotas ignoram os defeitos de seu Estado. Apesar do Brasil ter muitos elementos culturais e sociais dos quais o povo pode se orgulhar, não se deve esquecer que, historicamente, a nação cometeu erros que foram sangrentos para muitos grupos. Isto é, este país é o que mais mata pessoas transgênero no mundo, segundo a ONG austríaca “Transgender Europe”. Além disso, diversos povos indígenas tiveram e têm suas terras roubadas e seus líderes assassinados. A maior parte dos presidiários é negra, pessoas asiáticas continuam trabalhando exclusivamente em setores menos lucrativos da sociedade e sofrendo assédios nas ruas. Dessarte, compreende-se que o Brasil ainda tem muito a melhorar, e esse é um fato que não pode ser ignorado em prol do civilismo.
Por fim, os centros educacionais devem conscientizar a população sobre a xenofobia. Isso deve ser feito por intermédio de palestras realizadas na presença de pessoas estrangeiras e de minorias étnicas, que compartilharão suas experiências e opiniões. O objetivo dessa medida é desenvolver empatia nos ouvintes, de maneira que não reproduzam mais este preconceito. Em adição, as plataformas midiáticas devem disseminar o conhecimento sobre os problemas do Brasil. Essa ação pode ser feita por meio da elaboração de propagandas e novelas que exponham dados sobre a violência contra grupos marginalizados, a fim de que o povo possa ter orgulho de sua nação sem ignorar seus defeitos.