O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 10/08/2020

Na obra pré-modernista “Triste fim de Policarpo Quaresma”,de Lima Barreto,o protagonista é um homem apaixonado pelo Brasil que dedica sua vida para o crescimento do país. No entanto,ao idealizar uma pátria que exalta seus valores nacionais,decepciona-se ao perceber uma sociedade movida por interesses pessoais. Assim como na ficção,observa-se que a fragilidade do patriotismo também é uma realidade persistente,uma vez que a polarização da sociedade e a desvalorização cultural contribuem para sua continuidade.

Primeiramente,é importante citar que a formação de um sentimento de nacionalidade e de coletividade encontra como principal obstáculo a falta de senso crítico dos brasileiros que,ao reduzirem a sociedade em grupos antagônicos,fomentam o conflito. Tal fato exemplifica a teoria da filósofa Marcia Tiburi. De acordo com essa especialista,a “cegueira ideológica” caracteriza os indivíduos da contemporaneidade,em que a alimentação da intolerância e do ódio baseia-se na negação do outro e na incapacidade para o diálogo. Sob essa perspectiva,percebe-se que a atual realidade egocêntrica,na qual os interesses individuais se sobrepõem ao bem da comunidade,provoca uma polarização da população e restringe sua percepção da vida e dos problemas sociais. Nesse sentido,a ausência de uma educação capaz de promover e incentivar a troca de ideias e valores afasta os sujeitos do ambiente público e impede sua união na defesa dos interesses comuns.

Ademais,é válido destacar que a dificuldade de identificação com elementos nacionais prejudica a formação do patriotismo. Esse contexto está relacionado às ideias do antropólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda. Segundo esse estudioso,“ainda somos uns desterrados em nossa terra”,ou seja,predomina na sociedade brasileira a ausência do sentimento de pertencimento ao país. À vista disso,observa-se que esse fato apresenta como principais bases a falta de valorização da cultura e a fragilidade das instituições públicas,já que esses fatores retiram a confiança da comunidade e limitam a consciência social,política e cultural dos indivíduos. Nesse viés,tal realidade desestimula o engajamento populacional e o exercício da cidadania,impedindo,assim,a superação das adversidades.

Logo,para estimular o patriotismo,o Estado deve promover a formação crítica da sociedade mediante a criação de grupos de debates nas redes sociais que,além de oferecerem informações confiáveis à população,também permitam o diálogo entre diferentes pontos de vista,a fim minimizar a intolerância e promover a união dos sujeitos pelo bem comum. Além disso,as escolas devem desenvolver,desde a educação infantil,o sentimento de pertencimento,por meio do contato periódico com diversos elementos constitutivos da cultura nacional,visando a percepção da importância de preservar tais elementos.