O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 10/08/2020

Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch, pois, na elaboração dessa arte expressionista, veem-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferentes à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que as vítimas da falta de patriotismo no Brasil vivem algo semelhante, tendo em vista que elas têm sido “esquecidas” por setores governamentais e sociais. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no país.

Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não incentivar o patriotismo. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de investimento financeiros, uma vez que faltam verbas para uma boa formação dos professores para que haja o incentivo, desde a infância, do sentimento patriota, o que prejudica, de forma plena, a garantia do direito à cidadania. Sendo assim, nota-se que o governo não tem promovido o bem-estar de todo o coletivo, evidenciando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais, alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.

Também, observa-se que o silenciamento social frente à falta de patriotismo apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários à assistência estatal, posto que o pouco aparato social cria uma repulsa pelo Poder Governamental, comprometendo, então, a identificação patriota das pessoas. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitarem conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma “espiral do silêncio”, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.

Ressalta-se, portanto, que o patriotismo deve ser estimulado. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, investimento financeiro, priorizando verbas, a partir do ministério competente, para uma melhor formação de professores, com o objetivo de gerar, nas crianças, o amor à pátria, Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por organizações não governamentais, a respeito da importância de haver o engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, o auxílio estatal para garantir um maior amparo aos brasileiros. Desse modo, a indiferença ao sofrimento alheio poderia ficar restrita aos personagens da obra de Munch.