O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 13/08/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, garante que a liberdade de expressão é um direito inalienável de todo cidadão. Nessa lógica, o direito político é referente à participação popular nas questões públicas, sendo responsável por manifestações e atuação por meio do sufrágio. Todavia, no Brasil, a polaridade nas questões eleitorais banalizou o patriotismo, o que levou à disseminação de preconceitos e à intolerância de símbolos e pessoas importantes na linha histórica do país.

A priori, o processo de formação social e eleitoral brasileiro é pautado na política oligárquica, na qual poder político é concentrado em um pequeno grupo que possui interesses em comum, o que gera no processo democrático uma disparidade social. Dessa forma, o patriotismo gerou a propagação de preconceitos e, segundo o conceito de “banalização do mal” da socióloga Hannah Arendt, a sociedade tende a naturalizar algo prejucicial quando uma organização política se beneficia e utiliza uma questão ideológica para isso. Nessa lógica, a vulgarização do patriotismo e a pseudo sensação de verdade origina a violência contra minorias e, um exemplo disso foi noticiado no G1, que informou um ocorrido com a transsexual Jéssica, a qual foi agredida a pauladas e teve o cabelo cortado por cidadãos que afirmavam que ela não era digna de viver em uma pátria cristã que preza pela família tradicional.

Em segunda análise, o ufanismo brasileiro polarizou o sistema político entre progressistas e conservadores, na qual a intolerância política de símbolos e pessoas predomina. Assim, de acordo com o filósofo Voltaire, não é necessário que todos de uma sociedade tenha opiniões homogêneas, mas se deve defender a liberdade de escolha e expressão. Contudo, a sociedade brasileira não segue tal lógica iluminista e o que se observa são brigas para defender políticos e representantes do povo, atingindo antepassados que foram importantes na formação do país e a apropriação de símbolos que deveriam ser de todos. Logo, tal ideia de patriotismo é errônea e torna distante a melhoria do país.

Em vista disso, para que o patriostismo seja presente na sociedade sem destilar discurso de ódio, cabe ao Ministério da Educação, ligado à instituições não governamentais, realizar aulas complementares de sociologia para crianças e adolescentes, com abordagem histórica do processo de formação do Brasil, valorizando tanto paisagens turísticas e pessoas importantes, quanto as mudanças sofridas na sociedade, a fim de incentivar, desde muito cedo, o patriotismo e o respeito as diversidades sociais. Somado a isso, o Estado deve realizar projetos nas comunidades, com atividades em grupo que mostrem a importância do coletivismo nos debates das questões emergenciais do país, a fim de que todos gozem do direito da participação popular no âmbito público como previsto pela DUDH.