O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 10/08/2020
No limiar do século XIX, Gonçalves Dias publica o poema “Canção do exílio”, o qual evidencia, notadamente, o sentimento de devoção à pátria brasileira. Saindo da ficção, nota-se, no contexto hodierno, que muito se tem discutido, na sociedade tupiniquim, acerca dessa temática patriota, uma vez que é um fator fundamental para a consolidação da cidadania. Nesse contexto, é fundamental analisar a notória diminuição do sentimento de pertencimento do cidadão em relação ao Brasil, bem como a respeito da participação governamental na ampliação dessa problemática contemporânea.
A priori, é relevante abordar, que desde os processos historiográficos tupiniquins, essencialmente no que tange aos relacionados à ampliação do sentimento cívico do indivíduo, como é o caso do período da literatura romântica e da “Era Vargas”, observou-se que o conceito de identidade nacional passou a ser consolidada de maneira mais evidente. Entretanto, apesar de todo o sentimento patriótico desenvolvido ao longo do tempo, circunstâncias contemporâneas foram essenciais para a sua fragilização, exemplo disso foi a Ditadura civil-militar brasileira, a qual acabou, fundamentalmente, se apropriando de símbolos nacionais e passou a propagar movimentos de repressão contra a liberdade de expressão cidadã. Esse fato, além de resultar na minimização do sentimento cívico canarinho, também é contrário ao pensamento do filósofo Pierre Bourdieu, para o qual: “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão”.
Concomitantemente a isso, segundo o pensamento kantiano, o indivíduo só atinge a maioridade quando sintetiza a possibilidade de agir com sua própria razão. No entanto, o Estado, ao negligenciar, muitas vezes, a constante inferiorização do sentimento cívico canarinho, posto que uma grande parcela da sociedade - essencialmente os mais jovens - louvam países estrangeiros, obriga o cidadão a permanecer em seu estado de menoridade. Ademais, as escolas emergem como importantes agentes de mitigação, já que, ao formarem cidadãos mais autônomos, contribuem para a construção de uma mentalidade que coloque em prática os valores da cidadania, como a cooperação, os quais são cruciais para a criação de laços de pela pátria e para que haja uma boa atuação na coletividade social.
Destarte, medidas fazem-se fundamentais para que o sentimento benéfico de devoção à nação volte a ser observado na contemporaneidade tupiniquim. Para que isso ocorra, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve investir em palestras e projetos sociais acerca da importância da “frutificação” do sentimento patriótico no âmbito educacional, social e familiar. Isso deve acontecer por intermédio de um amplo apoio midiático, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debate entre os professores, a fim de quebrar barreiras sobre o tema e atingir um público maior.