O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 14/08/2020
O Brasil é um país de história recente; são 518 anos desde seu descobrimento e apenas 198 a partir sua independência. Esse curto período histórico está repleto de tentativas frustradas de construção de uma identidade nacional, em meio a heróis fictícios, cenas imaginadas e contextos idealizados, pouco espaço há para os reais personagens históricos, para a memória popular, para a identificação do indivíduo como agente e para os demais elementos fundamentais para a construção do patriotismo. Por este motivo a pátria sofre uma polarização advinda dessa deficiência na construção de um sentimento nacional. De um lado aqueles que desacreditam em uma unidade e do outro os que usam do “patriotismo” , como mera ferramenta política. A princípio é fundamental compreender o real significado dessa palavra tão recorrente nas sentenças daqueles que se consideram “amantes da pátria”. De fato, o patriotismo tem haver com amor, mas distancia-se no que hoje é propagado no sentido de “platonificação” desse sentimento. Assim como no amor platônico os patriotas ultilizam-se da pós-verdade para a construção do amor a um país perfeito e respeitado que nada tem haver com o Brasil. A propaganda política que há muito se faz presente nos discursos dos candidatos à presidência, é um “ismo” que não tem qualquer ligação com a pátria, pelo menos não a brasileira. O sentimento nostálgico que remete há um período anterior (inexistente), no qual havia ordem e prosperidade, e que este indivíduo diz que irá resgatar, nada mais é que uma estratégia surgida na Itália. Como explica Jason Stanley, em seu livro Como funciona o fascismo, essa estratégia se ergue como o primeiro pilar fundamental do fascismo. O patriotismo ao contrário não possui nenhum fundamento mítico, esse firmasse na realidade, na história e na identificação do indivíduo com o local onde vive; assim portanto baseia-se na educação e deve ser concebido desde a primeira infância. Para que o patriota conhecendo sua pátria, sinta-se incluído e responsável pelo futuro e se proponha a exercer a cidadania em prol de todos . Para tanto é essencial que a secretaria da cultura desmitifique a história brasileira, tirando de cena heróis fictícios com Tiradentes e valorizando os verdadeiros agentes históricos. A história brasileira tal como ela é precisa ser exposta e valorizada, a fim de conscientizar e começar a construção de um identidade nacional real. E como medida definitiva cabe ao ministério da Educação incluir na Base nacional comum curricular do ensino fundamental, o estudo dos agentes históricos brasileiros, para que as crianças criem laços com estes e assim com a própria história como fazem com os princípes e princesas dos contos infantis.