O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 13/08/2020
O livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, retrata a história de um patriota que adquire uma decepção com sua paixão pelo país. Fora do campo literário, o patriotismo em questão no Brasil, semelhantemente à obra, tem sido ameaçado. Nesse contexto, sabe-se que os motivos para essa ameaça derivam da escassez de valorização dos símbolos nacionais desde a educação básica, bem como da preferência social, semeada pela mídia, pelos elementos da cultura estrangeira em detrimento da brasileira.
De antemão, percebe-se que a escassez de valorização dos símbolos nacionais desde a educação básica representa uma ameaça ao patriotismo em questão no Brasil. Nessa lógica, é possível analisar a teoria do educador Paulo Freire, a qual afirma que o ambiente escolar dita a formação do cidadão. Nesse viés, chega-se à conclusão de que a sociedade brasileira encontra-se desterrada em sua própria terra, visto que o hino, a bandeira e a instigação do orgulho patriótico têm caráter secundário na escola. Desse modo, torna-se evidente que essa falha no contexto educacional atrapalha a semeação do sentimento de pertencimento à pátria, o qual efetiva a cidadania.
Além disso, infere-se que a preferência pelos elementos da cultura estrangeira, semeada pela mídia, em detrimento da brasileira representa outro impasse social ao patriotismo em questão no Brasil. Nesse raciocínio, é possível relacionar a isso a teoria da pensadora Maria Rita Kehl, a qual expõe que a sociedade pátria está dotada de um “bovarismo”, expressão que sintetiza a afeição exacerbada por estrangeirismos. Nessa ótica, chega-se à conclusão de que o aparato midiático instiga o afeto da população por recursos artísticos, musicais e literários globalizados, fato que provoca um esquecimento dos símbolos, puramente, verdes-amarelos. Dessa forma, evidencia-se que a aculturação tem ameaçado o viés patriótico.
Portanto, sabe-se que as ameaças ao patriotismo em questão no Brasil devem ser atenuadas. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover a valorização dos símbolos nacionais desde a educação básica, por meio da aplicação de uma matéria específica, aliada à disciplina de história, focada no ensino do hino brasileiro e na explicação dos significados da bandeira e dos brasões de forma simples e interativa. Com isso, o objetivo de semear precocemente a paixão pela nação será alcançado. Ademais, é dever do Ministério da Ciência e Tecnologia instigar o prestígio da cultura do país, por intermédio da criação de um aplicativo que exponha as obras artísticas, musicais e literárias da pátria e suas relações com a construção identitária da população. Isso deve ser feito para que o bovarismo seja repensado.