O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 13/08/2020

Em 1915, na obra “Triste fim do Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, é retratada a figura de um patriota brasileiro, Policarpo, preocupado com a valorização da cultura do país e interessado em transformar o idioma tupi na língua nacional. No entanto, o personagem é visto pelas pessoas de forma estigmatizada, sendo comparado a um “louco”, devido aos seus ideias nacionalistas. Fora do tablado literário, ainda há no Brasil uma população que não enaltece os patrimônios naturais e culturais, assim como a sociedade do século XX, apresentada no livro. Essa problemática está associada à demasiada valorização dos hábitos estrangeiros e ao pouco incentivo do patriotismo nas escolas e famílias.

A princípio, segundo o antropólogo Nelson Rodrigues, na sua teoria do Complexo do Vira-lata, o brasileiro se coloca em uma posição de inferioridade, valorizando as culturas, os espaços estrangeiros e enaltecendo pouco o patrimônio do país. A partir dessa ideia, percebe-se que a sociedade do Brasil, muitas vezes, prioriza o estilo de vida, como o modo de se vestir, de outras nações, ao invés de afirmar uma identidade genuinamente brasileira. Essa realidade além de mostrar a condição inferior adotada pelo povo diante dos costumes alheios, também revela, principalmente, o insuficiente patriotismo da população. Além disso, de acordo com a Associação Brasileira das Operadores de Turismo, em 2017,  o número de embarques para o exterior aumentou em 26%. Dessa maneira, percebe-se que ainda há um desconhecimento das pessoas em relação aos aspectos positivos do Brasil, como a exuberância da natureza. Esse impasse ocasiona uma pouca valorização do turismo nacional e um desvio do potencial econômico que essa atividade traria para a melhoria da qualidade de vida nas cidades turísticas.

Outrossim, segundo o filósofo Bordieu, o corpo social surge em uma esfera que começa antes dele existir, logo, as pessoas internalizam aquilo que a estrutura estabelece como verdade. Dessa forma, a condição de inferioridade assumida pelo povo brasileiro está inserida na organização coletiva da nação. Assim, essa questão diminui, infelizmente, a construção do sentimento patriota no Brasil. Isso ocorre devido à falta de interesse de muitas escolas e famílias em desmistificar a posição insignificante adotada pelo país. Por isso, que manifestações de amor ao Brasil, muitas vezes, praticadas apenas em datas específicas, como a Copa do Mundo, devem ser incentivadas por essas instituições de ensino.

Portanto, para que o sentimento patriota aumente no país, o Ministério da Educação com as escolas deve incentivar o amor à pátria, por meio de debates nas aulas de História, por retratarem a formação do povo brasileiro. Ademais, o Ministério da Educação com a mídia deve conscientizar os cidadãos sobre o enaltecimento das riquezas naturais e culturais, por meio de propagandas televisivas em todos os horários, para alcançarem mais pessoas. Assim, mais Policarpos poderão vir a surgir no Brasil.