O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 14/08/2020

“Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; as aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”, declara o poeta romancista Gonçalves Dias em sua obra “Canção do Exílio”, idolatrando o Brasil numa época na qual a idealização e o nacionalismo eram características marcantes. Diante disso, percebe-se, na contemporaneidade, a falta de tal patriotismo nas sociedades brasileiras, sendo explicada a partir de uma análise das raízes históricas do país.

É fundamental, inicialmente, compreender que a ausência do amor à pátria é uma consequência direta das relações de dependências históricas que o Brasil viveu diante de outros países. Tal fato pode ser justificado ao tomar como base a frase do compositor e músico brasileiro Fábio Brazza, que diz: “continuamos colônia controlados culturalmente”. Ou seja, mesmo após romper as relações com a metrópole portuguesa, em 1822, o Brasil continuou sendo, até hoje, um país que constrói suas relações políticas e culturais pautadas nas necessidades de outras nações, e não nas suas. Dessa forma, políticas internas de combate à favelização, desigualdade e vários outros problemas que, também, possuem raízes históricas tornam-se dispensadas, fazendo com que a população brasileira se sinta desamparada e desvalorizada dentro da própria nação, dificultando, cada vez mais, um sentimento de pertencimento e amor por parte dos brasileiros.

A partir desse viés, é fundamental pontuar o “bovarismo brasileiro”, termo criado pela escritora Maria Rita Kehl, referindo-se à falta de pertencimento por parte dos indivíduos diante da sua nação, uma vez que, segundo ela, o brasileiro, desde séculos passados, tem o hábito de valorizar somente o que vem do exterior em detrimento de sua própria produção. Assim, os próprios habitantes da nação acabam apreciando as demais culturas, os demais países, esquecendo-se das suas origens, admirando outros hinos, outras paisagens, outros estilos de vida, o que demonstra a falta de devoção à pátria em pleno século XXI. Fato este que pode ser corroborado de acordo com pesquisas realizadas e publicadas na Folha de São Paulo, na qual mostram que, se pudessem, cerca de 60% dos jovens brasileiros iriam embora do Brasil.

Logo, faz-se necessária a atuação do Governo Federal, no âmbito do Executivo, no combate à extinção do patriotismo no Brasil. Tal ação pode ser feita por meio de projetos, como o investimento na educação básica no que diz respeito ao ensino informal, ou seja, aquele ensino que aborda além do conhecimento científico que o aluno detém, valorizando os ensinamentos que o indivíduo vai precisar para exercer sua cidadania, tornando-o responsável por fazer o Brasil avançar como nação, a fim de tornar o sentimento dos brasileiros semelhante ao expresso por Gonçalves Dias em séculos passados.