O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 18/08/2020

‘‘A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos". Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne à questão do patriotismo atualmente no Brasil, verifica-se uma lacuna na manutenção dos direitos humanos devido à criação de uma identidade nacional hegemônica, o que configura um grave problema. Nesse sentido, percebe-se a consolidação de um cenário desafiador, em virtude do desconhecimento e do individualismo.

Convém ressaltar, a princípio, que a falta de conhecimento é um fator determinante para a persistência do problema no cenário brasileiro. Sob essa perspectiva, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre o patriotismo, sua visão será limitada, cuja a conclusão, comumente, é de que sua cultura, religião e princípios devem prevalecer em detrimento de outros. Tal desconhecimento é um reflexo dos valores construídos pela consciência coletiva, na qual o senso comum é perpetuado, o que torna mais complexa a erradicação do problema.

Além do mais, surge a questão do individualismo, que intensifica a gravidade da problemática. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao patriotismo atrelado à priorização dos interesses econômicos, culturais e religiosos. Sob esse viés, os intitulados patriotas, na maioria das vezes, fundamentados nas relações superficiais do mundo globalizado, negligenciam a criação de vínculos de coletividade, logo, o individualismo é inevitável e funciona como um forte entrave para a resolução dessa questão.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse panorama. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de leitura e debates sobre o tema. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, por meio de entrevista com convidados especialistas no assunto. Além disso, não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao patriotismo e percebam à importância da interação social para estabelecer vínculos empáticos, para que, assim, possam tornar-se cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.