O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 29/09/2020

O sentimento patriótico nasce na Grécia Antiga e é estabelecido acerca da figura dos pais e do bem familiar, que é proporcionado pela propriedade e pelo trabalho. Na literatura brasileira há exemplos de expressões patrióticas, que além da identificação do cidadão com o lugar onde vive, ressalta o amor ao povo e às riquezas da terra, como na obra do parnasiano Olavo Bilac. Assim, o objeto daquele que se identifica com a pátria é a materialidade e autonomia de seu país, e não embates ideológicos que dividem, excluem e prejudicam a nação, que no Brasil são confundidos com o patriotismo.

Dessa forma, os valores que o propõe são formadores de cidadãos acima de eleitores, a fim de eleger o país como prioridade ao invés da polarização política. Segundo o historiador Eric Hobsbawn, o sentimento patriota é o amor à terra dos pais, onde não há contradição com o respeito e interação com povos de outras terras. Ao contrário da proposta nacionalista que põe-se acima do outro, e prega o amor ao Estado. Como exemplo, a criação do muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México no governo de Donald Trump e o slogan da campanha do governo de Jair Bolsonaro: “Brasil acima de tudo”. Ambos são decorrentes de uma falsa concepção de patriotismo que é substituída na prática política pelo nacionalismo.

Por conseguinte, a nação é prejudicada, pois, seus interesses são substituídos pelos os do Estado que não representam benefícios à população, o que torna a soberania do país precária, como é o caso da produção de soja do Brasil, que 70% é destinada à exportação, segundo o portal Aprosoja Brasil e uma matéria publicada no programa Greg News, da HBO. Logo, deixa de atender em benefício do comércio interno, e isso implica também na disfunção social de mais de 33 milhões de hectares de terras nacionais segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Portanto, a gestão pública prejudica a superestrutura necessária para a organização do patriotismo, que deixa, nesse exemplo, pessoas sem terra, incluindo povos indígenas, em decorrência de queimadas, e pequenos produtores sem retorno financeiro, o que tange diretamente a representação popular.

Conclui-se que o patriotismo não se trata de divisões paradigmáticas conflitantes que almejam o benefício de certo grupo, mas sim o sentimento que visa beneficiar a nação e sua soberania. Nesse sentido cabe ao povo reivindicar, embasado na materialidade de sua história, a representação  e educação necessária para que haja o sentimento de pertencimento, posteriormente atuando ativamente contra o nacionalismo enraizado na atual política pública. Assim sendo cabe aos Ministérios da Fazenda e da Economia priorizar ao uso da riqueza nacional em prol da autonomia, que resultará na prioridade social da oferta de recursos, que unirá a população em um só objetivo.