O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 30/09/2020

O escritor Jorge Amado em seu livro “Tieta do Agreste” ao ser questionado negativamente sobre a adoção de determinados termos, considerados inferiores e obsoletos em comparação com obras europeias, fez questão de exaltar o Brasil em seus aspectos literários, culturais e científicos. Para além da literatura, o sentimento patriota demonstrado pelo autor não mantém-se difundido entre grande parte da população brasileira. Isso acontece, pois apesar do patriotismo ser fundamental para o crescimento econômico e social de um país, este, no Brasil, acaba não sendo adotado devido à uma valorização excessiva de outros países, e do preconceito errôneo com o termo (que o tira de contexto),  promovendo uma aversão que prejudica a própria nação e seus habitantes.

A historiadora Patrícia Valim estuda os efeitos da chamada “síndrome do vira-lata” sob os brasileiros, que dissemina um sentimento de adoração e prestígio à países e culturas exteriores, enquanto que gera uma desvalorização e falta de interesse sobre aspectos do próprio país. Dessa forma, a população em vez de se manter ativa em debates políticos e sociais com o foco na melhoria nacional, acaba depositando sua atenção em políticas externas já consolidadas, de modo que o Brasil assume um papel de atraso e inferioridade que contribui para a expatriação. Outrossim, o foco em outras nações contribui para a preferência no consumo de turismo e bens exteriores, impedindo o crescimento econômico nacional que poderia surgir se essa valorização acontecesse.

Ademais, o patriotismo no Brasil é visto com maus olhos devido à processos históricos que o colocaram como justificativa para mudanças sociais autoritárias, como é o caso da ditadura militar instituída no país em 1964. Assim, em vez do termo assumir o papel de valorização nacional no imaginário brasileiro, assume um sentido associado ao extremismo, sendo utilizado por muitos políticos para defender práticas ultraconservadoras. Logo, com o termo deslocado de sentido, tanto o que ele significa, quanto sua importância, acabam não sendo difundidos amplamente fazendo com que, consequentemente, o patriotismo não seja uma marca nacional.

Portanto, cabe ao Ministério das Comunicações, por meio de propagandas a serem difundidas em rádios e televisões, promover um conteúdo que reúna e exalte aspectos da cultura brasileira  como a gastronomia, as música e os costumes regionais presentes nas diversas regiões do país, de modo a incentivar o turismo e a valorização de produtos nacionais. Além disso, tais propagandas devem incluir o real significado de patriota, de modo que a interpretação errada do termo seja desfeita. Por conseguinte, os brasileiros entenderão a importância do patriotismo e poderão praticá-lo amplamente, da mesma forma feita por Jorge Amado,  promovendo avanços para o país.