O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 30/09/2020
Em uma história da mitologia grega, Teseu derrotou o Minotauro ao portar somente uma espada e um novelo de lã. Fora da ficção, o mito adapta-se à pauta do patriotismo no Brasil. À luz disso, segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”, o brasileiro deriva de mentalidades depredatórias que violentavam os recursos naturais em busca de riquezas – sob o modelo mercantilista. Além disso, o autor frisa que o cidadão do país não se envolve muito com a política por não diferenciar a esfera pública da privada de forma contundente. Nesse espectro, os pontos positivos e negativos do amor à Pátria merecem ser analisados a fundo.
A priori, vale mencionar o pensamento de Paul Watson: “Inteligência é a habilidade das espécies para viver em harmonia com o meio ambiente”. Sob esse prisma, um dos aspectos fundamentais para o apreço pela nação é o cuidado com a natureza. Do mesmo modo, a identificação dos indivíduos com ideais em comum pode estimular o progresso por meio do coletivismo. Sob esse âmbito, de acordo com o filósofo alemão Habermas, para que as pessoas se compreendam e executem as decisões mais consensuais é necessária uma ação comunicativa livre de interesses pessoais. Pois, ser patriota é buscar o bem comum dos conterrâneos sem perder os valores morais cultuados.
A posteriori, consoante o filósofo Herbert Spencer: “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”. Sob esse ângulo, o patriotismo, assim como qualquer outro sentimento, deve obedecer a esse preceito. Dessa forma, a xenofobia e o ódio a todos que não seguem os mesmos padrões de comportamento são uma exacerbação na valorização da federação. Nessa perspectiva, pregar o endeusamento de itens bélicos e de símbolos nacionais é uma fórmula geral para falsos patriotas que surgem ciclicamente – de Deodoro da Fonseca até a contemporaneidade. Esses, apesar de exaltarem o Brasil, consomem produtos importados e ajudam mais o exterior – principalmente na construção do “imperialismo norte-americano”, atitude visível durante o Regime Militar (1964-1985).
Logo, é mister que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos realize palestras nas escolas – ministradas por profissionais especializados no assunto – com a finalidade de promover uma conscientização sobre a importância do respeito. Para tanto, cabe ao MEC incluir na Base Comum Curricular um tema transversal voltado à discussão acerca da responsabilidade individual de aceitar as decisões e a liberdade dos outros. Do mesmo modo, é vital a correlação dessa temática com as interações da sociedade e como uma impacta na outra – o que pode ser desenvolvido por professores de sociologia. Assim, através de recursos advindos dos impostos, financiar-se-á um patriotismo baseado somente no fio de lã da tolerância e da sabedoria, sem recorrer à espada do militarismo.