O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 23/09/2020

No romance triste fim de policarpo Quaresma, de Lima Barreto, o quixotesco personagem, que dá título ao livro, cria algumas fantasias em relação à pátria, o que o conduz ao seu declínio após ser traído por seus ideias. Fora das páginas literárias, a baixa importância dada ao patriotismo, no Brasil, provavelmente contribuiria para potencializar as decepções de Quaresma, seja pela falta de políticas públicas, seja pela escassez de incentivo estatal. Nesse sentido, é necessário analisar os principais aspectos políticos e sociais que envolvem tal postura degradante para a nação.

Inicialmente, é valido destacar a falta de intervenção estatal atrelada à carência de patriotismo entre os brasileiros. Assim, promulgada no governo José Sarney, a Constituição Federal elucida a importância do caráter patriótico para o progresso da nação, com absoluta prioridade. Entretanto, hodiernamente, tal panorama é utópico, uma vez que, de acordo com o jornal “O Globo”, a população brasileira se preocupa mais com o posicionamento político, de direita ou de esquerda, ou seja, com seus próprios interesses, em detrimento dos interesses coletivos, o que gera um quadro de estagnação desenvolvimentista social e econômica para o país. Logo é responsabilidade dos governantes a criação de ações para prevenção do impasse.

Outrossim, cabe pontuar, ainda, a escassez de incentivos estatais para o aumento do sentimento de pertencimento à nação. Por conseguinte, segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio dela, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. No entanto, evidencia-se a omissão do poder público em realizar políticas públicas para despertar o sentimento nacionalista nos cidadãos, haja vista que, conforme dados do “G1”, o principal motivo da falta de patriotismo na população brasileira, é o fato de não haver um efetivo Estado de bem-estar social, assegurando melhor qualidade de vida para os civis. Nesse prisma, a carência de medidas públicas agrava o quadro caótico.

Infere-se portanto, a necessidade de ações para despertar nos cidadãos brasileiros o sentimento de patriotismo. Assim sendo, urge que o Governo, instituição encarregada de garantir os direitos dos cidadãos, promova nas instituições de ensino a chamada “escola sem partido”, por meio de um sistema educacional sem ideologia prévia, visando a união partidária e possibilidade de progresso da nação. Ademais, é dever dos governantes e chefes de Estado, pessoas públicas responsáveis pela validação da unidade social e nacional, a criação de políticas públicas, como aprimoramento da saúde e cuidado como os patrimônios materiais e imateriais, por intermédio do dinheiro público arrecadado dos impostos, com o objetivo de despertar o sentimento patriota na população. Destarte, tomando essas medidas, as decepções de Quaresma seriam mitigadas.