O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 19/09/2020

Na obra cinematográfica “A onda”, o diretor retrata uma escola onde os alunos estão estudando regimes autocráticos e totalitários. Dessa forma, um professor, encarregado de ensiná-los a história, induziu-os, através do sentimento de pertencimento e patriotismo, a criarem regimes entre si, o que saiu do controle. Sob esse aspecto, é possível observar que o patriotismo pode levar a guerras e genocídios de povos não-brancos, já que o estado é uma invenção eurocêntrica que não abrange todas as culturas. Dessa maneira, é possível afirmar que o patriota segue um raciocínio eurocêntrico e opressor, podendo servir como símbolo de manipulação de massas.

Em primeira análise, pode-se afirmar que o patriotismo no Brasil foi construído como maneira de difundir toda a conquista de um território feita a base de violência e opressão. Desse modo, observando o período colonial e como se deu, revela-se um estado que exterminou sua população originária, escravizou povos africanos e difundiu uma cultura europeia, marginalizando quaisquer indícios culturais de outros povos. Diante disso, é visível que o patriotismo, num país onde se tem o genocídio como pilar, é elitista e utilizado como ferramenta de manipulação, já que povos explorados não têm um sentimento de pertencimento por uma terra que lhes fora roubada. Dessa maneira, o cidadão patriota é utilizado apenas para servir um país que mata seus povos originários, sem questionar ou se opor.

Sob esse raciocínio, o patriotismo serve como símbolo de pertencimento, que facilita a manipulação de massas. A exemplo da Alemanha nazista, em que a pátria estava no centro, e o ditador alemão Adolf Hitler utilizou-se para criar um sentimento de pertencimento nos alemães, manipulando-os de maneira que se sentiram na obrigação de servirem a um país no qual eles pertenciam, mesmo que de repente não concordassem com todas as decisões tomadas. Logo, torna-se facilitado o processo de manipulação de uma nação, especialmente se essa estiver fragilizada. Com isso, observa-se no Brasil contemporâneo um patriotismo elitista que serve apenas para dar força a um governo que se utiliza disso como bordão.

Assim como na realidade, no filme “A onda”, o sentimento de pertencimento fez com que as pessoas voltassem umas contra as outras. Dessa forma, é preciso uma intervenção para evitar reincidentes históricos. Assim, torna-se necessário que o MEC em conjunto à secretaria do trabalho ajam para que o conhecimento histórico de regimes antidemocráticos e violentos seja garantido em ambientes escolares e trabalhistas para jovens em período escolar e adultos que exercem sua cidadania política, através de palestras escolares, peças teatrais e distribuição de livros históricos. Com isso, garantir através da educação que o patriotismo não seja utilizado como ferramenta de opressão.