O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 21/09/2020
“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá - as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”. Nesses versos do poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, é visível o sentimento de orgulho e saudade que o autor nutre por sua terra natal - o Brasil. Esse sentimento de pertencimento e orgulho de sua nação, identificado como patriotismo, esteve presente nos brasileiros ao longo de nossa história como nação. No entanto, temos visto, nos últimos anos, uma perda desse sentimento por grande parte dos cidadãos brasileiros. Isso se deve, em grande parte, à conjuntura política e social que vivemos, além do abandono do ensino de valores cívicos nos currículos escolares de educação básica.
Conforme nos ensina a etimologia, patriota vem de “patriotes” - patrícios; que eram os cidadãos romanos que constituíam aquele Império durante sua expansão entre os séculos I a.c. e IV d.c.. Estes patrícios se sentiam orgulhosos e, sobretudo, protegidos pelo “Governo”. Ora, se o patriotismo decorre do sentimento de orgulho e da sensação de proteção dos cidadãos por seu Estado, como os brasileiros poderiam nutri-lo diante dos inúmeros casos de corrupção envolvendo figuras políticas do nosso país? Não por acaso, casos emblemáticos como o “Desvio das Merendas” em São Paulo e a “Máfia das ambulâncias” no Rio de Janeiro são episódios que fazem com que o cidadão se sinta traído e abandonado pelo Estado. Essa sensação de abandono atinge em cheio qualquer sentimento de patriotismo que o cidadão ainda possa ter.
Soma-se a isso, o fato de os valores cívicos, trabalhados nas escolas desde os primeiros anos do ensino infantil, não serem mais contemplados nos currículos como disciplina obrigatória. Podemos citar como exemplo a extinção da disciplina “Educação Moral e Cívica” que compreendia a formação do cidadão, trabalhando o conhecimento dos símbolos e da história de nosso país. Nesse sentido, o que se vê são cidadãos sendo formados sem nenhuma afinidade com a história e importância do seu país e, por consequência, sem orgulho de pertencer a esta nação.
Diante desta situação, é preciso que o Estado Brasileiro, na figura de nossos representantes eleitos, priorize o combate à corrupção, criando leis e implementando ações mais eficazes com vistas a desestimular essa prática tão perniciosa, fazendo com os recursos públicos se convertam, de fato, em serviços de qualidade para o cidadão e este se sinta acolhido por seu país. Por outro lado, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura - MEC, determine a reinserção dos conteúdos cívicos como disciplina obrigatória desde a educação básica para que professores trabalhem obras literárias e processos históricos importantes na formação de nosso país, fomentando, assim, o sentimento patriótico em cada cidadão ao longo de sua formação.