O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 01/10/2020
Na obra de Lima Barreto, Triste fim de Policarpo Quaresma, a personagem principal é amante sincera de todos os símbolos nacionais. Esse amor tem como sinônimo o patriotismo, ele ansiava que toda a sociedade partilhasse desse sentimento e propunha reformas radicais para o resgate do orgulho à pátria. Ora, destoa do desejo de Quaresma o interesse da coletividade, na contemporaneidade, o que se demonstra é a deturpação e esvaziamento do real sentido de ser patriota. Assim, são necessárias medidas para o retorno desse comportamento.
Diante desse cenário, o equívoco de grande parcela da população está na adoção de uma conduta nacionalista como se ela assumisse cunho patriótico. De acordo com Charles de Gaulle, político francês, “patriotismo é quando o amor por seu próprio povo vem primeiro; nacionalismo é quando o ódio pelos demais vem primeiro”, e a essa ideologia de supremacia é que muitos atrelam a pureza da dedicação ao seu país, ledo engano. Tal como sustenta e ostenta o atual Presidente do país, Jair Bolsonaro, “Brasil acima de tudo” uma denotação clara de como seu governo pretende impor uma ideologia dominante. Dessa forma, a distorção da palavra que remete pertencimento em detrimento da que evoca soberania é alarmante.
Por outro lado, a desvalorização cultura nacional e o desprezo pela terra natal constitui um transtorno. Nesse contexto, é válido rememorar a contribuição que o episódio da Ditadura Militar causou nesse processo, com a apropriação da bandeira, hino, outros simbolismos e atos cívicos fomentou a distância dos cidadãos desses, e até gerou uma forte repulsa. Aliado a isso, o caos no tocante a corrupção, educação e infraestrutura precárias cooperam para a ausência de apreço ao território, como apontou o levantamento do Datafolha em maio, 29% dos entrevistados têm vergonha de ser brasileiro, essa constatação implica em indiferença a assuntos emergenciais por parte dos habitantes pela crença de que mudanças seriam utopia. Logo, a frustração corrobora a apatia e inércia. Mitigar, portanto, os entraves para aplicação do patriotismo é possível com adoção de algumas medidas. Para tanto, o Ministério da Educação precisa implantar projetos pedagógicos que incentivem a valorização dos elementos históricos da Terra Tupiniquim por meio de campanhas recorrentes que podem fazer alusão a datas importantes como o dia da bandeira, com o fito de resgatar desde a infância a admiração pela brasilidade. Cabe também a mídia por intermédio da rede televisiva, em matérias jornalísticas ou programas, descontruir o emaranhado entre ser nacionalista e patriota em discussões com especialistas com intuito de desmistificar a ideia de se tratar do mesmo tópico. Desse modo, a ambição de Quaresma estará mais próxima de se concretizar.