O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 21/09/2020
No final do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. À vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa o declínio do patriotismo brasileiro, percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário antagônico é fruto tanto de questões políticas-estruturais quanto da individualidade contemporânea.
Precipuamente, é fulcral pontuar que essas circunstâncias derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Consoante o escritor Lima Barreto, em sua obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, a personagem Policarpo, imbuído de nobres ideais e de um patriotismo fervoroso acaba se decepcionando com o governo e tendo o mesmo fim trágico dos prisioneiros de guerra por cujos direitos protestou e defendeu. Nesse sentido, de maneira análoga a esse pensamento, fica evidente, que por conta das falhas na atuação do Estado, o indivíduo desacredita e se desvincula dos sentimentos pátrios, porquanto não o reconhece como promotor de seus direitos, tampouco efetuador. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar que a hodierna liquidez nas esferas sociais como promotor do problema. Segundo o filósofo Polonês Zygmunt Bauman, o homem moderno nega toda ligação de subordinação com as instituições sociais, abdicando assim as crenças, regras e valores impostas por elas, guiando-se na sua visão pessoal. Em consequência, a sociedade preocupa-se em buscar os seus próprios em detrimento aos interesses coletivos, o que reverbera em um estado de apatia ao desenvolvimento social e à pátria. Logo, torna-se necessário refletir sobre a situação, assim como no impacto negativo que o individualismo ocasiona sobre todo o corpo social.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Para isso, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se de que o Poder Executivo, na forma dos Ministérios, atue no fomento aos sentimentos pátrios, de modo a fortificar a noção unitária de uma comunidade. Além disso, tal ação deve se efetivar mediante concretização da cidadania, de modo a promover direitos como saúde, moradia e educação, além de estimular a responsabilidade, bem como união dos civis desde o ensino básico. Enfim, só assim, a convicção de Zweig a cerca do Brasil se tornará uma realidade no presente.