O patriotismo em questão no Brasil

Enviada em 30/09/2020

De acordo com Charles de Gaulle, “Patriotismo é quando o amor por seu próprio povo vem primeiro. Nacionalismo é quando o ódio pelos demais vem primeiro”. Tal citação evidencia, de modo bastante claro, a tênue linha existente entre esses dois conceitos e o porquê deles serem comumente confundidos. Nesse sentido, nos últimos anos, verifica-se uma crescente discussão em torno do assunto, seja pela ausência do sentimento patriótico entre a população, seja pelo seu descomedimento, que geralmente desdobra-se no nacionalismo. Desse modo, é urgente uma intervenção no âmbito educacional, com o intuito de possibilitar um assimilação benéfica do patriotismo no Brasil.

Em primeiro plano, é válido salientar que o país, atualmente, passa por um contexto expressivo de indiferença quanto a valorização do amor à pátria, haja vista a supervalorização do que é estrangeiro. Nessa lógica, o escritor Nelson Rodrigues denomina essa tendência do brasileiro de subestimar, voluntariamente, sua própria cultura frente outras de “complexo do vira-lata”. Isso posto, nota-se que a falta de patriotismo está ligada de forma direta ao não reconhecimento da sociedade dos símbolos que tradicionalmente representam a devoção do povo pelo seu país, como a bandeira e o hino nacional. Dessa forma, percebe-se a necessidade de uma reformulação e ressignificação desse elementos, uma vez que a reverência está intrinsecamente relacionada à identificação.

Em segundo plano, é oportuno abordar a interpretação equivocada do que seria o patriotismo, visto que esse conceito pode ser erroneamente compreendido e configurar-se como nacionalismo. Nessa perspectiva, o autor pré-modernista Lima Barreto em sua obra “O triste fim de Policarpo Quaresma” aborda o sentimento ufanista pela ótica de um funcionário público demasiadamente patriota, que acaba por ser morto na busca pela valorização de sua nação. Sob tal perspectiva, nota-se a importância de se encontrar um equilíbrio, haja vista a tendência do patriotismo desenfreado em culminar em contextos autoritários, como as ditaduras latino-americanas e o nazi-fascismo europeu.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que promovam um patriotismo saudável no Brasil. Logo, o Ministério da Educação deve fomentar a valorização da cultura nacional, por meio de aulas nas escolas que abordem costumes nacionais que de fato representem a população, com ênfase nos aspectos culturais locais, de acordo com cada região, a fim de promover a identificação da sociedade com seu país. Além disso, a mídia tem que divulgar a diversidade do país, por meio de campanhas publicitárias logisticamente esquematizadas para o público que a verá, com vistas a despertar a admiração popular pela sua própria nação. Destarte, será possível que o “complexo do vira-lata” seja superado e o patriotismo, segundo Charles de Gaulle, seja devidamente exercido.