O patriotismo em questão no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Lima Barreto, nas páginas de “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, desvelou o patriotismo de um funcionário público que propôs, em documento enviado ao Congresso Nacional, a substiuição do português pelo tupi-guarani como língua oficial. Contemporaneamento, o sentimento descrito pelo autor brasileiro é por vezes ridicularizado, embora possa produzir impactos positivos para a sociedade quando livre de extremos. Com efeito, a valorização da pátria mostra-se um paradigma fundamental, uma vez que promove a dignificação da identidade social e o desenvolvimento social.
Em primeira análise, o patriotismo moderado é capaz de alicerçar a identificação com a nação.Esse
fato decorre do reconhecimento do passado histórico e da cultura brasileira, o qual permite a superação de antigas práticas opressoras e estabelece a união dos habitantes, haja vista a percepção de pertencimento repercutida pelo estudo da história da pátria e de seus movimentos artísticos ufanistas. Nessa perspectiva, é possível observar tal discussão no “Manifesto Pau-Brasil”, de Oswald de Andrade, o qual acreditava ser a construção identitária uma necessidade para a manutenção da convivência harmônica. Desse modo, superar a crise patriótica faz-se uma exigência da contemporaneidade, em razão da otimização do convívio em sociedade, como explicitado pelo autor modernista.
Ademais, em segundo plano, a formação de um patriotismo arquitetado pela tolerância mostra-se imperiosa para a evolução do corpo social. Isso porque esse procedimento proporciona o pleno desenvolvimento do indivíduo, visto que instaura a inclusão de sujeitos marginalizados, o que acontece devido à defesa dos direitos fundamentais dos habitantes pela coletividade, propiciada por um cenário patriota. Nesse sentido, a temática possui estreita relação com o pensamento de Jürgen Habermas, na obra “A Inclusão do Outro”, que defende que desenvolver uma sociedade é simplesmente incluir, avançar o processo social. Dessa forma, edificar uma postura que valorize o amor à pátria é indispensável à inserção do cidadão e ao consequente progresso nacional.
Portanto, estimular o patriotismo prudente no Brasil é extremamente relevante para a criação de valores identitários e éticos. Por conseguinte, o Poder Executivo Federal, sob forma do Ministério da Educação, deve incentivar políticas públicas de valorização do país nas escolas, por meio da realização e aprimoramento de projetos e dinâmicas de grupo que versem sobre a importância da cultura brasileira, os quais explorem as manifestações visuais e literárias com o uso de aplicativos e sites relacionados ao tema, com o intuito de resgatar o sentimento patriota no território. Destarte, será possível dar destaque à nação de modo responsável e baseado no senso crítico, diferentemente do panorama vivenciado por Policarpo Quaresma no livro de Lima Barreto.